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Portugal

Universidade de Évora quer criar ferramenta preditiva de acidentes no distrito de Setúbal

 A Universidade de Évora (UÉ) pretende criar uma ferramenta ‘online’ preditiva da sinistralidade rodoviária grave no distrito de Setúbal, no âmbito de um projeto que está a analisar os acidentes ocorridos entre 2016 e 2019.

O Projeto MOPREVIS – Modelação e Predição de Acidentes de Viação no Distrito de Setúbal, abordado hoje num seminário de apresentação de resultados intercalares, é uma parceria entre a UÉ e o Comando Territorial de Setúbal da GNR.

A investigação, que termina no primeiro semestre do próximo ano, envolve a análise de uma base de dados com 28.103 acidentes rodoviários que aconteceram naquele distrito, na área de jurisdição da GNR, entre 2016 e 2019.

No final, através de modelos preditivos de estatística e inteligência artificial, o objetivo é “montar um sistema de informação que identifique os locais onde é mais provável ocorrerem acidentes”, revelou Paulo Infante, professor de Matemática da UÉ e coordenador do projeto.

Desta forma, será possível “construir algo que ajude condutores, peões e autoridades em tempo real”, podendo contribuir também para “definir políticas públicas”, disse o coordenador do MOPREVIS.

Se for possível contribuir para poupar, nem que seja apenas uma vida humana, este projeto já terá sido um enorme sucesso e um relevante contributo social da academia, através da aplicação do seu conhecimento, esforço e interação com a sociedade e com os parceiros”, argumentou.

O comandante do Comando Territorial de Setúbal da GNR, coronel Mário Guedelha, afiançou que a força de segurança tem “alguma expectativa no resultado final” do projeto, com a criação da ferramenta preditiva, mas também já está “a aproveitar” os ganhos fruto dos resultados intercalares.

Essa informação científica “já nos está a servir como apoio à decisão para melhor balancear e otimizar os nossos recursos para os locais, horas e períodos em que, previsivelmente, pode acontecer maior ocorrência de acidentes”, indicou.

Dos 28.103 acidentes que constam da base de dados, 5.436 registaram feridos leves, 407 tiveram feridos graves, 163 incluíram vítimas mortais, que, no período de quatro anos em análise, totalizaram 183, segundo dados que a UÉ forneceu à agência Lusa.

Os investigadores, no âmbito dos resultados preliminares, apontam que “as quartas-feiras são os dias da semana em que ocorrem menos acidentes com vítimas mortais” no distrito de Setúbal.

Entre a 01:00 e as 02:00 e entre as 06:00 e as 07:00, “há cinco vezes mais possibilidades de ocorrer um acidente com vítimas mortais do que nas restantes horas do dia”, enquanto “em período laboral ocorrem menos de metade dos acidentes do que em período não laboral”.

Um acidente em que pelo menos um dos intervenientes não tenha acessórios de segurança (cinto, cadeira das crianças) tem 2,5 vezes mais possibilidades de ter vítimas mortais, concluem, indicando também que “a ocorrência de despistes relativamente a colisões aumenta com a idade do veículo”.

Quando analisados os acidentes com vítimas, a sua gravidade é potenciada por fatores geográficos, temporais (das 00:00 às 08:00 e das 20:00 às 24:00, de quinta a segunda-feira), relacionados com a via, com o condutor (maioria dos condutores envolvidos é do sexo masculino), idade dos veículos (mais velhos), tipo do veículo envolvido e natureza do acidente.

Lusa

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