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Política

Presidenciais: Comunistas recuperam em relação a 2016 mas percentagem é a segunda pior desde 1976

João Ferreira obteve 4,32% dos votos e ficou em quarto lugar nas presidenciais de domingo, à frente da candidata do Bloco de Esquerda, conseguindo um resultado saudado pelos comunistas, apesar de ser o segundo pior desde 1976.

O eurodeputado comunista (apoiado também pelo PEV) foi o ‘vencedor da luta pelo quarto lugar’, disputada com Marisa Matias (apoiada pelo BE) e com Tiago Mayan (apoiado pela IL).

Os 4,32% de votos foram encarados pelo PCP como uma recuperação face ao resultado obtido pela candidatura de Edgar Silva, há cinco anos, com 3,95%.

Contudo, o resultado de João Ferreira é o segundo pior em termos percentuais desde as eleições presidenciais de 1976.

Este crescimento percentual registado em comparação com as últimas presidenciais contrasta com o número de votos expressos. E, 2016, Edgar Silva obteve 183.009, mais 2.536 do que João Ferreira conseguiu no domingo.

Jorge Pires, da comissão política do PCP, e o deputado comunista António Filipe destacaram “um progresso” e “uma tendência” que ao início da noite de domingo parecia ser “clara”.

No púlpito, João Ferreira recusou olhar para os números para fazer a análise da candidatura que apresentou a Belém e da apreciação que os portugueses fizeram, apesar de reconhecer que queria um pouco mais de “acolhimento”.

Ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito no domingo o candidato deixou o aviso de que a “exigência” no cumprimento Constituição vai ser “uma questão decisiva” no mandato que tem início em 09 de março.

Aos apoiantes, em particular aos que pertencem a “quadrantes” políticos “distintos”, João Ferreira deixou o repto que assumiu como a grande vitória da noite: perpetuar o empenho para “combater e derrotar projetos antidemocráticos”, apontando a André Ventura, o terceiro classificado nestas eleições com mais 316.180 votos do que o comunista.

Apesar de não referir nomes, é de recordar que João Ferreira recebeu o apoio, por exemplo, dos deputados socialistas socialista Isabel Moreira e Ascenso Simões, de Paula Marques (vereadora da Câmara Municipal de Lisboa) e elementos de várias estruturas locais do PS, em detrimento de Ana Gomes, militante socialista, mas que não contou com o apoio do partido.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, também olhou para os resultados como um crescimento em relação a 2016 e disse que João Ferreira conseguiu ir buscar “votos novos” a regiões, em particular o Alentejo, onde os comunistas estão a perder terreno para o candidato da extrema-direita apoiado pelo Chega.

Na opinião do dirigente comunista, também ele antigo candidato à Presidência da República, João Ferreira “merecia mais” pelas condições em que esta campanha eleitoral decorreu, no pico da pandemia, com restrições que impediram a volta ao país nos moldes de antigamente, revezada entre comícios com presença reduzidíssima de apoiantes, contactos com grupos minúsculos de trabalhadores e o ‘online’.

Por causa das condicionantes e da “dramatização” de Marcelo, sustentou o secretário-geral comunista, João Ferreira saiu penalizado.

Por seu turno, o candidato reconhece condicionantes, mas não olha para um fator que explique o resultado. Preferiu olhar de uma forma mais abrangente para o resultado e “para lá dos dias de hoje”, apesar de não ter especificado a meta que apontava.

Para o final ficou a promessa que é um mote para o futuro: “Com coragem e com confiança abriremos um horizonte de esperança na vida deste país.”

Nas primeiras presidenciais após o 25 de Abril de 1976, Octávio Pato conseguiu 7,59% dos votos. Nas duas eleições seguintes, realizadas em 1980 (Carlos Brito) e em 1986 (Ângelo Veloso), os candidatos indicados pelo PCP desistiram.

Em 1991, Carlos Carvalhas registou o melhor resultado de um candidato comunista, com 12,92% dos votos. Em 1996, o PCP apoiou Jorge Sampaio e, em 2001, ao optar por ir a votos, António Abreu teve 5,13% dos votos.

Nas eleições de 2006, as primeiras ganhas por Cavaco Silva, o candidato Jerónimo de Sousa, que viria a ser o secretário-geral comunista, registou 8,64% e, em 2011, Francisco Lopes teve 7,05%.

Em eleições presidenciais, a percentagem de votos é apurada excluindo os votos em branco e os nulos.

Lusa

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