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Portugal

PAN aponta falhas no bem-estar animal, PS, PSD e PCP saem em defesa dos produtores

O Pessoas-Animais-Natureza (PAN) alertou hoje para problemas no tratamento e bem-estar animal no país, mas foi acusado pelo PSD de “preconceito”, com PS e PCP a defender o papel dos exploradores nacionais pecuários.

No período de declarações políticas, na Assembleia da República, a líder parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, começou por alertar: “se não mudarmos forma como interagimos com o planeta e também os animais, estamos certos de que outras pandemias vão surgir no futuro, talvez até mais graves”.

“Não existe uma preocupação em proteger e cuidar dos nossos animais nem respeito pelo seu bem-estar, o que acaba por resultar em incidentes muitas vezes macabros, como o incêndio em Santo Tirso ou o massacre na Torre Bela”, sustentou.

Apontando que “só este ano” já morreram em Portugal mais de 5.000 animais carbonizados em explorações pecuárias, Inês Sousa Real fez referência a um projeto de lei já entregue pelo seu partido que pretende tornar obrigatórios sistemas de deteção de incêndios nas explorações pecuárias.

“A esta realidade, acresce ainda a importância de garantir o bem-estar dos animais detidos e criados para fins de consumo: para que o nosso país não fique atrás de países como Inglaterra ou Espanha, onde já decorre a consulta pública em matéria de bem-estar animal, o PAN apresentou um projeto de lei que prevê a instalação de circuitos fechados de televisão nos matadouros”, continuou.

A deputada salientou ainda que “a forma como olhamos e tratamos os animais diz mais a respeito de nós próprios enquanto humanidade, do que a respeito daquilo que é a nossa condição, também ela animal”.

O deputado João Moura, do PSD, acusou o PAN de ter “uma visão um tanto ou quanto urbana” no que toca à produção e exploração animal e “um grande preconceito” sobre o consumo de carne, questionando se o partido tem bases científicas quando é “fundamentalista” sobre a dieta alimentar.

“Aquilo que queremos aqui dizer é que o PAN não pode converter o mundo rural na sua ‘Disneyland’ agroecológica, não pode tentar condicionar aquilo que é a produção e as explorações animais”, atirou.

Na resposta, a deputada Inês Sousa Real acusou o social-democrata de ter uma “imaginação muito fértil”, lamentando que João Moura tenha defendido interesses pessoais: “se o senhor deputado tem uma exploração pecuária não deveria sequer estar aqui a falar sobre o tema”.

“Eu recordo que o painel intergovernamental para as alterações climáticas da ONU [Organização das Nações Unidas] foi o primeiro a alertar para o impacto que a pecuária intensiva e superintensiva tem nas alterações climáticas, no meio ambiente e até na saúde publica ou no bem-estar dos animais”, advogou.

Pelo PS, o deputado João Castro vincou que “ninguém gosta mais dos seus animais do que os produtores pecuários (…) e até há vacas felizes”, sublinhou que “há longos anos que o país implementa e respeita regras de maneio e bem-estar animal” e defendeu que Portugal “tem um forte potencial para produzir mais alimentos” e ser mais autossuficiente.

João Castro argumentou ainda que “a ciência hoje já demonstra que é possível reduzir drasticamente as emissões produzidas, nomeadamente na pecuária, assegurando o desiderato da alimentação”, perguntando à deputada do PAN se “acha mesmo que o caminho é da restrição e de imposição de uma ditadura alimentar”.

O comunista João Dias disse partilhar da preocupação de que a intensificação das explorações trazem problemas ambientais, mas acusou a deputada do PAN de não defender as pequenas explorações e “diabolizar quem tem 10, 15 ou 20 cabeças de gado, que contribui para a fixação no território da população” e de não compreender “a importância da exploração pecuária”.

Pelo BE, Maria Manuel Rola alertou para a “impunidade e falta de fiscalização relativamente à indústria pecuária”, apontando que estão em causa “questões de licenciamento, de aproveitamento do meio hídrico e também da própria poluição hídrica”.

“Pecuárias que não cumprem a lei de facto não deveriam existir no sentido em que fazem mal a todo um conjunto, a todo o ecossistema”, defendeu.

No encerramento, Inês Sousa Real partilhou das preocupações do BE e acusou os restantes partidos do hemiciclo de estarem de “mãos dadas com os interesses do agro-negócio e com a pecuária”.

Lusa

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