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Artigos de opinião

Opinião de Luís Capucha “O PAN ameaça a civilização”

O PAN, o Partido dos Animais, mudou no fim-de-semana passado de líder. O primeiro, André Silva, primeiro disse que queria ir cuidar da família e por isso saía da liderança e da Assembleia da República, quando na verdade foi governar a vida tratando de ocupar um lugar oferecido pelo Partido Socialista na Administração Pública. Vem substituí-lo uma tal Inês Sousa Real, que já era deputada e tinha sido provedora dos animais em Lisboa.
No congresso o PAN discutiu algumas moções que, no conjunto, representam o regresso à matriz de exploração dos afetos para com cães e gatos domésticos como programa político. Foi com base nesse programa que o partido chegou à Assembleia daa República e assim cresceu eleitoralmente. Agora regressa às origens.
Convencido de que poderia chegar ao poder em coligação com o PS, o PAN de André Silva assumiu depois das últimas eleições uma nova linguagem, pretendendo transformar-se no partido verde (ecologista) que teima em não aparecer no nosso país (a referência central da defesa do ambiente no sistema político continua a ser o monárquico Arquiteto Gonçalo Robeiro Telles). Mas a manobra soou a falso e falhou. O partido dividiu-se e a sua história pós-eleitoral é de luta interna entre os animalistas puros e os animalistas disfarçados de ecologistas. As sondagens revelaram uma queda, e o PAN de Inês Sousa Real fez inversão de marcha e regressou à ternura dos “fofinhos” dos bichos.
Então, no Congresso, o PAN voltou às suas grandes causas, inventando outras novas: a inscrição dos direitos dos animais na Constituição, a esterilização massiva de cães e gatos para evitar o abate nos canis, aumentar das responsabilidades dos “detentores” (sic) dos animais, a fixação dos custos da alimentação vegetariana para cães e gatos a preços acessíveis, a criação de hospitais públicos para cães e gatos, etc. Tudo propostas destinadas diretamente à captação de votos dos radicais veganos, das velhinhas desamparadas e das pessoas que não conseguem expressar os seus afetos para com outras pessoas e arranjam os animais para lhes servirem de conforto.
Algumas destas medidas são imediatamente interesseiras, como a do preço da comida vegana para cães e gatos. Algumas são também reveladoras do modo de ver desta gente, que se julga mo direito de impor não apenas aos outros cidadãos o seu gosto, mas aos próprios animais carnívoros a determinação de passarem a ser veganos, contrariando radicalmente a natureza. Tudo para bem das indústrias veganas. Outras são totalmente injustas, como a do desvio de dinheiros públicos da saúde humana para a saúde PET. São todas absurdas e reveladoras de um mundo em crescente anomia. Há ainda aquelas que se compreendem, como o aumento da responsabilidade dos proprietários sobre os seus animais de companhia, se não se desse o caso de chamarem a essas pessoas “detentores”, como se os animais pudessem ser os seus próprios donos, o que reintroduz o absurdo no debate.
No meio disto tudo o PAN aponta também à educação, neste caso dos animais humanos. Querem revolucionar o ensino. Assim, as duas grandes causas do PAN, ou pelo menos aquelas que passaram nas parangonas das notícias, foram a esterilização de todos os cães e gatos e a revolução no ensino. Podia ser vice-versa: a esterilização do ensino, precedida de anestesia para passar a ensinar conteúdos animalistas; e a revolução dos animais. Não a revolução metafórica da quinta dos animais de Orwel, mas a inversão de estatutos entre os animais de estimação não humanos e os animais humanos, passando-se a privilegiar a proteção aos primeiros e tornando-os iguais às pessoas, e não apenas o que são, seres sencientes que partilham com o Homo Sapiens grande parte do código genético, mas não são dotados do aparelho que lhes permita produzir cultura e, com ela, moral e direito.
Todo eu tremo só de pensar na esterilização. Nessa prática tão animalesca identifico-me com os pobres bichos. Mas ainda tremo mais só de pensar que poderíamos anular toda a moral e todo o direito para passar a considerar os animais sencientes como cidadãos reconhecidos como iguais a nós na Constituição. Isso seria o fim do humanismo e da civilização. Quem se julgue igual a uma besta, que passe bem. Cada qual tem direito a ser o que entender, mas só desde que não prejudique os outros. Tentar impor-me a mim a mesma condição, isso não posso aceitar. Mas a verdade é que é isso que está em causa na resistência aos selvagens animalistas.

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