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Exposição no Museu de Évora ‘resgata’ população envelhecida e isolada

“Topofilias” é o título da exposição, com fotografias de José Miguel Soares, que pode ser visitada em Évora, a partir de sábado, no culminar de um projeto artístico centrado na população excluída por envelhecimento e isolamento.

A mostra, que vai ficar patente no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, até 16 de janeiro de 2022, representa “o culminar de um amplo projeto de criação artística realizado no Alentejo Central” pela Malvada Associação Artística.

Esta ação de inclusão pela arte, iniciada em julho do ano passado, “envolveu a população excluída por envelhecimento e isolamento” nos concelhos de Alandroal, Borba, Estremoz, Évora e Reguengos de Monsaraz, divulgou a estrutura cultural.

O projeto teve “como foco o espaço e o lugar praticado e vivido, como forma de recuperar e produzir memória através da construção de um olhar sobre e a partir do património humano”.

Integrada no Transforma – Programa para uma Cultura Inclusiva do Alentejo Central, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), a iniciativa contou com a realização de um total de cinco exposições fotográficas, sendo esta a última.

“Assente no conceito de ‘Topofilia’, o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou o meio ambiente, explora-se uma associação que promove a ideia de pertença e de identidade cultural”, que resultou na série de retratos patente na mostra.

O projeto, com criação e direção artística de Ana Luena e José Miguel Soares, desenvolveu-se “nas aldeias típicas e nos centros históricos”, que têm como denominador comum “um passado admirável e extraordinário”.

A iniciativa focou também “os espaços urbanos e periurbanos, simultaneamente polos de desenvolvimento, desordenamento e reorganização do território, assim como os espaços extensos de paisagens naturais antropomorfizadas, onde a desertificação humana é mais do que uma tendência estatística”.

A exposição a inaugurar sábado inclui retratos e imagens resultantes das diferentes fases das ações artísticas que envolveram o público-alvo, como sessões de partilha, em que os habitantes foram fotografados junto das suas casas, em jardins e em espaços públicos.

Outra das componentes do projeto foi a realização de sessões de retrato de estúdio, que foi montado em praças, mercados, associações e lares de idosos.

“Os retratos, o registo dos espaços recordados, dos objetos estimados ou perdidos constituem um depósito de pedaços de memórias e de vidas”, segundo a associação cultural.

De acordo com a Malvada, “para muitos dos participantes, as sessões de partilha e de retrato de estúdio marcaram o primeiro encontro depois do período de confinamento a que a pandemia obrigou, constituindo, por isso, um momento de grande alegria e inclusão”

“Ao mesmo tempo, o ritual de ser fotografado constitui uma valorização das vivências de um segmento da comunidade que é tantas vezes marginalizado, contribuindo para um sentimento de orgulho e pertença”, argumentou.

O território, para além de “físico, social e emocional”, é também “composto e estruturado por aqueles que o vivem”, pelo que “todos estes tempos e lugares, e as memórias que lhes estão associadas, ganham corpo naqueles que os habitam e que por eles se deixam habitar”, sublinhou.

Lusa

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