Internacional

De protestos a jantar na calçada: imprensa internacional repercute conturbada passagem de Bolsonaro na ONU

Publicações pelo mundo destacaram – além do discurso – a passagem “conturbada” da comitiva brasileira em Nova York, com protestos e jantares na calçada

Tradicionalmente, o representante brasileiro inicia o discurso no salão da Assembleia-Geral da ONU e, como esperado, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido) o fez. No entanto, ao contrário de vezes anteriores, a passagem do líder brasileiro por Nova York chamou a atenção não só pelo seu discurso em si, mas pela polêmica estadia da comitiva brasileira em solo americano.

Com polêmicas que vão desde os jantares realizados no lado externo dos restaurantes- já que pessoas não vacinadas não podem frequentar ambientes fechados na cidade – ao encontro com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o presidente do Brasil ganhou as manchetes de todo o mundo nesta semana ao declarar publicamente que não se vacinou contra a covid-19, sendo o único dos líderes do G-20 que adotou esta prática.

O anúncio público de sua decisão foi um dos assuntos mais abordados pela mídia estrangeira, além da sua defesa em relação à política do governo para o meio ambiente, tudo isso  em meio a protestos que apontam contrariedade em sua fala – já que, segundo dados divulgados pelo próprio Ministério do Meio Ambiente do Brasil, o presidente teria apontado um avanço nesta área neste mês, no entanto, quando se toma como base todo o período de seu governo, houve justamente o contrário.

A CNN, por exemplo, destacou que o presidente apresentou, em seu discurso, “um novo Brasil cuja credibilidade foi recuperada no mundo”, mas, muito diferente do país devastado pelo coronavírus sob seu comando e fustigado pelos incêndios na Amazônia”.

Reuters aponta a fala sobre o meio ambiente, conjecturando que a temática parece não ter convencido os ativistas da área: “O líder de extrema direita, que pressionou para abrir mais a floresta amazônica para a mineração e agricultura, foi criticado no país e no exterior pelo aumento do desmatamento sob seu governo. Mas ele tentou desviar as críticas na terça-feira, dizendo à ONU que seu governo estava levando a sério a proteção da Amazônia”, escreveu a agência de notícias.

“O presidente Jair Bolsonaro do Brasil deu início à Assembleia-Geral das Nações Unidas na terça-feira, defendendo o uso de drogas ineficazes para tratar o coronavírus e resistindo às críticas ao desempenho ambiental de seu governo”, escreveu o The New York Times.

“A história e a ciência responsabilizarão todos”, destacou o jornal americano sobre a fala de Bolsonaro, acrescentando que sua forma de lidar com a pandemia no maior país da América do Sul foi amplamente criticada.

A decisão de Bolsonaro de não ser vacinado contra o coronavírus ainda ganhou amplo destaque na publicação. “Foi um momento constrangedor durante uma reunião com o primeiro-ministro Boris Johnson da Grã-Bretanha, que saudou a vacina AstraZeneca, que foi desenvolvida na Universidade de Oxford. Seu status de não vacinado causou problemas logísticos para encontrar um lugar para comer em Nova York, onde os restaurantes exigem que os clientes mostrem prova de vacinação”.

O britânico The Guardian adotou um outro tom, ao classificar as afirmações do líder de estado como “mentirosas”: “Jair Bolsonaro, disse à assembleia-geral das Nações Unidas que veio para apresentar “um novo Brasil, com sua credibilidade restaurada perante o mundo. Mas em um discurso de 12 minutos, no qual o populista de extrema direita pregou remédios não comprovados da Covid, denunciou medidas de contenção do coronavírus e propagou uma sucessão de distorções e mentiras descaradas sobre a política brasileira e o meio ambiente, Bolsonaro fez pouco para reparar a reputação internacional de seu país”, afirmou a publicação. The Washington Post seguiu a mesma linha.

O periódico espanhol El País fez uma das análises mais duras da imprensa internacional sobre a postura de Bolsonaro nos dias que antecederam a abertura da Assembleia-Geral da ONU. O jornal foi além da crítica ao presidente e direcionou-se também à demais políticos brasileiros, afirmando que “não é só culpa do Bolsonaro que o mundo zombe do Brasil”.

(Por: Beatriz Bergamin)

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