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Baixo Alentejo

Autárquicas: Autarca PS de Beja contra “entropias artificiais” que prejudicam governação

O presidente da Câmara de Beja, o socialista Paulo Arsénio, que perdeu a maioria absoluta, pediu hoje à oposição “as mesmas condições” dadas a outros executivos da CDU, alertando que “entropias artificiais” prejudicarão o concelho.

“Neste mandato, fruto do resultado da votação, as responsabilidades aumentam grandemente, desde logo para nós, num quadro de vereação diferente do anterior, mas aumentam também para todos os restantes partidos políticos”, afirmou.

Na cerimónia de instalação dos órgãos autárquicos do município de Beja, realizada hoje, Paulo Arsénio, reeleito nas autárquicas de 26 de setembro, argumentou que “de cada um dependerá, e muito, o caminho” a trilhar no concelho.

“Pedimos apenas que sejam dadas ao executivo em permanência, a força maioritariamente votada e que agora assumiu funções, as mesmas condições” dadas a anteriores executivos liderados pela CDU, também sem maioria absoluta.

Como exemplo, o autarca socialista aludiu ao último mandato de José Manuel Carreira Marques, entre 2001 e 2005, e de Francisco Santos, entre 2005 e 2009, que contaram com três eleitos da CDU, três do PS e um do PSD.

Esses executivos “nunca viram a sua ação amputada” por parte das então oposições, com quadros políticos idênticos ao que hoje arrancou, visto que a câmara, liderada pelos socialistas, integra três eleitos do PS, três da CDU e um da coligação PSD/CDS-PP/PPM/IL/Aliança.

“Se essas condições não forem reunidas, enfrentaremos certamente todos grandes dificuldades ao longo dos próximos quatro anos, até em termos da mais simples gestão corrente do município”, avisou Paulo Arsénio.

O autarca manifestou-se confiante de que tal não sucederá “e que o sentido de responsabilidade se sobreporá a qualquer outro”.

As “entropias artificiais não favorecem ninguém e provocam apenas o desgaste inútil e o adiamento de soluções para a vida dos munícipes e ninguém, no atual contexto, naturalmente quer provocar essa situação”, argumentou.

No final da cerimónia, em declarações aos jornalistas, Vitor Picado, que tomou posse como vereador e foi cabeça de lista da CDU nas autárquicas, afastou a hipótese de qualquer acordo prévio com o PS, mas afiançou que os comunistas estão disponíveis para viabilizar “tudo aquilo que vier pela positiva”.

Em troca, é preciso que o novo executivo faça “algo que pouquíssimas vezes aconteceu no anterior mandato”, que “é a partilha de informação e a troca de informação” e o chamar a CDU “à discussão”, defendeu, prometendo ainda apresentar propostas nas reuniões de câmara.

Já Nuno Palma Ferro, que foi candidato à câmara pela coligação de partidos de direta, intitulada “Consigo, Beja Consegue”, garantiu que, da sua parte, poderá haver “uma ação de viabilização de documentos, tanto de um lado como do outro, desde que sejam benéficos para o concelho”.

Na cerimónia, foi empossada a assembleia municipal, presidida pela socialista Conceição Casanova e cuja mesa integra também um elemento da CDU e outro da coligação de partidos de direita.

Na sua intervenção, o presidente da câmara defendeu que uma reforma do sistema eleitoral autárquico, por exemplo introduzindo mandatos de cinco anos, a possibilidade de apenas uma reeleição ou executivos apenas com eleitos do partido vencedor, “seria extremamente vantajosa”.

Paulo Arsénio defendeu ainda a regionalização, com a criação da região do Baixo Alentejo, mas, enquanto esta não avança, considerou benéfico o regresso da figura do governador civil, como elo de ligação entre os agentes locais e o Governo.

Lusa

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