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Portugal

Aumentos “significativos” da produção frutícola e “produtividade inédita” dos olivais este ano

 As culturas frutícolas deverão apresentar este ano “aumentos significativos” de produção, com o kiwi e a maçã a atingirem o primeiro e segundo melhores resultados em 35 anos, respetivamente, registando-se uma “produtividade inédita” nos olivais, segundo o INE.

De acordo com as previsões agrícolas a 31 de outubro divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), prevê-se ainda um aumento de 40% da produção de pera face à campanha passada, a produção de amêndoa “mais elevada dos últimos 24 anos”, uma subida de 5% no vinho e um recuo de 10% na castanha.

Quanto às culturas anuais, o destaque vai para o tomate para a indústria “que, fruto de um rendimento unitário historicamente elevado, volta a ultrapassar as 1,5 milhões de toneladas”, enquanto a produção de arroz também deverá aumentar (+30%, para 173 mil toneladas, devido às maiores área e produtividade), e no milho se prevê uma produção de 716 mil toneladas (+5% face a 2020).

Segundo avança o INE, e após um ano de contrassafra, a conjugação das condições meteorológicas favoráveis com o peso crescente dos olivais intensivos de regadio permite estimar que este ano a produtividade média superior do olival para azeite irá ultrapassar, “pela primeira vez”, as três toneladas por hectare.

Na azeitona de mesa, a produtividade deverá, “pela segunda vez desde 1986”, ultrapassar as duas toneladas por hectare (em 2015 atingiu as 2,36 toneladas por hectare).

Face a este aumento previsto, o instituto dá conta de “alguma preocupação nos produtores, principalmente em Trás-os-Montes, relativamente à disponibilidade e custo da mão-de-obra para a apanha desta cultura, com um período de oportunidade de colheita muito limitado”.

Nas pomóideas, as previsões no Oeste “apontam para um aumento de 10% da produção nas variedades do grupo das Galas (as predominantes na região) e de 30% no grupo das Fugi”, enquanto as Golden, Reinetas e Granny “deverão manter uma produtividade semelhante à alcançada no ano passado”.

Globalmente, estima-se que a produção atinja as 341 mil toneladas, “posicionando esta campanha como a segunda mais produtiva dos últimos 35 anos (apenas ultrapassada pela de 2019, com 368 mil toneladas)”, refere o INE.

Quanto à pera, “as expectativas de uma boa campanha confirmaram-se plenamente” e, “após uma das menos produtivas campanhas da última década, a produção deverá registar um acréscimo na ordem dos 40%, alcançando as 183 mil toneladas”, com frutos de boa qualidade, mas com “graus Brix [teor de açúcar] mais baixos, frutos de menor calibre e maior predomínio de carepa”, devido às temperaturas amenas e baixa radiação durante o período de desenvolvimento dos frutos.

Também na produção de kiwi se espera um recorde este ano, apesar do menor calibre dos frutos: “Prevê-se um aumento de 10% na produção face à campanha anterior, alcançando-se, pela primeira vez desde que existem registos estatísticos sistematizados, as 50 mil toneladas”, ou seja, “a maior produção dos últimos 35 anos”.

Nas amêndoas, a entrada em produção de novas plantações intensivas, quer nas principais regiões produtoras (Trás-os-Montes e Alentejo), quer noutras regiões com menor tradição nesta cultura (como a Beira Interior, onde a quantidade colhida “superou as expectativas”), contribuiu para um aumento da produção de 20% face a 2020, devendo-se atingir as 37,9 mil toneladas, “valor que já não se alcançava desde 1997”.

“Os efeitos da entrada em produção das novas plantações (mais produtivas que as tradicionais) são já visíveis, e de forma bastante mais expressiva que na área, tendo-se passado das 7,7 mil toneladas em 2011 para as 37,9 mil toneladas em 2021 (+394%)”, precisa o INE.

No que se refere à produção de vinho, espera-se um aumento global de 5% relativamente a 2020, com “a generalidade das regiões vitivinícolas a compensarem as quebras observadas nas do Minho, de Lisboa e do Tejo”, e perspetiva-se “a obtenção de vinhos de boa qualidade”. Na uva de mesa, as previsões também apontam para um aumento de 5%, face à campanha anterior.

Pelo contrário, na campanha da castanha um surto de septoriose “travou o otimismo inicial” registado, estimando-se uma quebra da produção global na ordem dos 10% face a 2020. Conforme recorda o instituto estatístico, “o último grande ataque descontrolado de septoriose ocorreu em 2014, com grande impacto na produção (a segunda menor das últimas duas décadas)”.

Lusa

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