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Agricultura

As características das vinhas influenciam o potencial das aves como aliadas no controlo de pragas

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Estudo da Universidade de Évora (UÉ) demonstra que as características das vinhas influenciam o potencial das aves como aliadas no controlo de pragas. Essencial para “facilitar uma agricultura mais biológica e com menor uso de químicos” o resultado final, “são melhores vinhos e a proteção da natureza” evidencia Rui Lourenço, investigador do LabOr-MED e primeiro autor do artigo publicado na revista Ecological Indicators (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1470160X20311900).

Um grupo de investigadores do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) e do Departamento de Biologia da UÉ envolvidos neste estudo apontam que as “vinhas de pequena dimensão rodeadas por paisagens heterogéneas estão potencialmente mais protegidas de pragas de insetos”, isto porque estas promovem uma maior diversidade funcional de aves. São o cartaxo-comum, a cotovia-comum, a cotovia-escura, a felosa-poliglota, o rouxinol-do-mato, a toutinegra-de-cabela-preta, ou ainda a poupa, as aves insetívoras comuns nas vinhas que apresentam maior potencial de controlo de pragas.

O investigador recorda que estas aves alimentam-se de lagartas, traças, escaravelhos, cigarrinhas e outros invertebrados, combatendo de forma natural as pragas nas vinhas e os resultados agora divulgados “permitem aos vitivinicultores definir boas práticas, beneficiando os produtores mas também a biodiversidade” destacam.

“A heterogeneidade da paisagem junto às vinhas pode ser alcançada através da conservação de habitats ripícolas, sebes naturais, árvores, muros de pedra e edifícios rurais, e esta complexidade estrutural beneficia as comunidades de aves fornecendo alimento, abrigo e locais de nidificação” frisa o investigador. Os índices de diversidade funcional são indicadores da composição das comunidades de aves que se baseiam não só nas espécies presentes, mas também nas suas características (por ex. peso, estratégia de alimentação, local de alimentação e dieta). Assim, a diversidade funcional pode refletir o potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves.

“As aves têm um grande potencial no controlo de pragas porque muitas espécies são insetívoras, têm várias funções (por ex. variedade de habitats de alimentação e comportamentos), e são comuns na maioria dos habitats” destaca Rui Lourenço, adicionalmente, destaca que “existem provas que as aves desempenham o serviço de biocontrolo em vinhas e noutras culturas”, acrescenta o doutorado em Biologia pela Universidade de Évora que se têm dedicado há mais de 20 anos à investigação na área da ecologia e conservação de aves.

Desta forma, as vinhas formam paisagens com gestão intensiva, sendo suscetíveis a diversas doenças e pragas causadoras de prejuízos consideráveis verificando-se aqui várias espécies de insetos que podem tornar-se pragas, afetando principalmente as folhas e as uvas, exemplo disso, a traça da uva ou a cigarrinha-verde.

As comunidades de aves foram amostradas neste estudo utilizando pontos de escuta em 31 parcelas de vinha localizadas no distrito de Évora que representavam diferentes práticas de gestão e contextos de paisagem. Nestes pontos de escuta os investigadores detetaram a aves por audição e observação, “um método que permitiu contabilizar sobretudo as aves que estavam nas vinhas e com maior potencial de prestar serviços de controlo biológico, descartando as que estavam em habitats mais afastados” elucida Rui Lourenço.

O Investigador MED da academia eborense destaca que “a diversidade funcional de aves foi mais elevada em vinhas pequenas rodeadas por paisagem mais diversificada com árvores”, quando comparadas com vinhas de média dimensão rodeadas sobretudo por parcelas agrícolas, ou ainda em vinhas de maior dimensão e frequentemente rodeadas por outras vinhas.

Desta forma sublinha-se o facto das vinhas de menor dimensão situadas em paisagens mais heterogéneas que incluam zonas arborizadas parecem ter uma maior biodiversidade funcional de aves, “facto que deverá estar associado a um maior potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves insetívoras” realça ainda a este respeito o investigador.

É inequívoco o valor que o vinho e a vinha têm para o nosso país, “e são muito relevantes para a economia regional em muitos países e as aves podem ser importantes aliadas da chamada “vinecologia”, realça o investigador da UÉ, integrando as práticas ecológicas na viticultura “que vão de encontro à procura crescente por parte de consumidores de vinhos de qualidade e promotores da sustentabilidade ambiental” conclui Rui Lourenço.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Novas ferramentas para a monitorização e avaliação de serviços de ecossistemas em sistemas de produção tradicionais do Alentejo sujeitos a intensificação”, financiado pelo programa Alentejo 2020.

Divisão de Comunicação da Universidade de Évora

Agricultura

Beja: três migrantes hospitalizados por “cansaço extremo”

Beja: três migrantes hospitalizados por “cansaço extremo”

Beja: três migrantes hospitalizados por “cansaço extremo”

Um argelino de 27 anos e dois marroquinos de 18 e 28 anos) são o rosto visível como as organizaçãos criminosas operam no alentejo — “altamente estruturada e hierarquizada”, de acordo com uma fonte judicial

Explorados pela rede de trabalho escravo no Baixo Alentejo, desmantelada na quarta-feira pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, deram entrada no Hospital de Beja, horas depois do início das buscas e das detenções. “Apresentavam sinais de exaustão e de cansaço extremo supostamente pela carga horária a que eram sujeitos.

Os suspeitos com idades compreendidas entre os 22 e os 58 anos de idade, de nacionalidade estrangeira e portuguesa, encontram-se fortemente indiciados pela prática de crimes de associação criminosa, de tráfico de pessoas, de branqueamento de capitais, de falsificação de documentos, entre outros.

Os suspeitos, integram uma estrutura criminosa dedicada à exploração do trabalho de cidadãos imigrantes, na sua maioria, aliciados nos seus países de origem, tais como, Roménia, Moldávia, Índia, Senegal, Paquistão, Marrocos, Argélia, entre outros, para virem trabalhar em explorações agrícolas naquela região do nosso país.

Na sequência desta ação policial, resultou a apreensão de vários elementos probatórios, bem como a identificação de dezenas de vítimas.

Esta operação contou com a colaboração de várias entidades estatais e não estatais, quer em apoio logístico, quer no encaminhamento das vítimas.

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Portugal

Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo manifesta-se contra extinção das Direções Regionais de Agricultura

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Decidiu recentemente o Conselho de Ministros aprovar a extinção das Direções Regionais de Agricultura, dando seguimento à proposta do Conselho de Concertação Territorial.

Na sequência das posições já tomadas pela Confederação dos Agricultores de Portugal e outras associações do setor, também a FAABA – Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo – vem manifestar-se contra a extinção das Direções Regionais de Agricultura e a sua integração nas CCDR’s.

Segundo a federação, em causa está “decisão já assumida pelo Governo que não trará qualquer vantagem para o sector agrícola. É também reveladora da falta de peso político da atual Ministra da Agricultura e do desinteresse do Governo por um setor tão importante para a nossa região e para o país, enquanto garante de soberania alimentar e ocupação do espaço rural”

“O Ministério da Agricultura nem sequer integra o Conselho de Concertação Territorial, o que já não nos surpreende, se tivermos em conta o esvaziamento de funções e a indiferença a que repetidamente temos assistido por parte da sua tutela”.

A federação lamenta que se trate de “uma decisão tomada sem o conhecimento ou discussão com os agricultores e suas organizações, que, ao contrário do que é propagandeado pelo Governo no âmbito da descentralização, trará ainda mais falta de apoio e menor proximidade para com os agentes do território”.

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Portugal

ANCEVE reclama demissão imediata da Ministra da Agricultura

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A ANCEVE – Associação Nacional dos Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas, representativa de dezenas de empresas produtoras e exportadoras de vinhos e bebidas espirituosas nas principais regiões demarcadas do País, questiona a medida abusiva, antidemocrática e absolutamente inaceitável agora anunciada pelo Governo, no sentido de extinguir os serviços regionais do Ministério da Agricultura no continente e os centralizar nas CCDR’s (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional).

As diversas Direcções Regionais de Agricultura (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Madeira) cumprem funções essenciais, de atendimento e apoio a milhares de produtores, de promoção do conhecimento específico a cada realidade regional, de gestão de fundos de apoio à Agricultura, entre muitas outras. Cumprem ainda uma função fundamental e que agora se extingue : a de fazer chegar ao Ministério o sentir e os problemas específicos de cada região. Embora sejam nomeados pelo Ministério, no âmbito de concursos regulares, os/as Directores Regionais de Agricultura são geralmente vistos pelos produtores como bons representantes dos anseios e desafios específicos de cada região, junto da administração central.

Sem ter recursos em cada região, como agora surpreendentemente se anuncia, o Ministério da Agricultura ficará limitado a ser um gigante burocrático e ineficaz no Terreiro do Paço (rigorosamente, pois é aí a sua sede), sem conhecimento real do que se passa em cada região.

Antecipando esta extinção, as DRAP’s já vinham sendo drenadas de recursos há longos anos, o que limitava a sua eficácia, nomeadamente atrasando vistorias no terreno, essenciais ao pagamento de apoios, tantas vezes só possíveis porque as equipas técnicas se multiplicaram em trabalho e dedicação.

Em paralelo, sabe a ANCEVE que se prepara um pacote de concentração de poderes, actualmente em estudo no Ministério, que significará que as CCDR’s irão receber serviços sem competência alguma de relevo. A administração central descarrega assim para as CCDR’s o ónus de justificarem o inevitável encerramento de balcões.

Sendo certo que a Agricultura é um eixo essencial da economia nacional e nomeadamente na ocupação produtiva do território e no combate à desertificação do interior, vemos com a maior preocupação que o Ministério esteja a ser desmantelado e esvaziado passo a passo, nas mãos de uma Ministra politicamente irrelevante, que não é reconhecida pelo sector nem pelos seus pares e cuja manutenção naquele lugar representa um enorme erro de casting por parte do Primeiro-Ministro.

Assim se entende que o Ministério da Agricultura, depois de já ter perdido as Florestas e as competências da Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária sobre os animais de companhia e de não ter tido nunca a capacidade de canalizar apoios financeiros urgentes e imperiosos ao sector, numa situação de crise marcada pela seca, pela guerra e pela inflação, não se oponha a esta medida, feita muito mais para gerar poderes regionais acrescidos nas CCDR’s do que preocupada com a prestação de serviços eficazes à Agricultura.

A Anceve reclama a substituição urgente da atual Ministra por alguém com conhecimento do sector, que o sector respeite e com peso político, que tutele, não um Ministério enfraquecido, sem estratégia e sem rumo, mas sim um novo Ministério da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

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Portugal

Valor da produção agrícola portuguesa sobe para quase 10 milhões em 2021

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O valor da produção agrícola portuguesa registou um aumento de 14,6% para 9.600 milhões de euros em 2021, o quatro maior crescimento de toda a União Europeia (UE), de acordo com dados do Eurostat.

Segundo dados tornados públicos hoje pelo Eurostat [gabinete de estatísticas da União Europeia], o valor da produção agrícola portuguesa, em 2021, ultrapassou os 9,6 mil milhões de euros, representando uma taxa de crescimento de 14,6% face a 2020″, avançou, em comunicado, o Ministério da Agricultura.

Portugal detém, desta forma, a quarta maior taxa de crescimento valor de produção agrícola na UE.

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