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Agricultura

ARENA DE SANGUE-Reportagem feita pelo portal UOL

Santarém, 5 de junho de 2022. São 17h de domingo e o calor de 24ºC faz com que os bancos à sombra da arquibancada se assemelhem a uma área VIP: ali estão concentrados homens, mulheres e crianças usando roupas com aparência de caras. Têm o frescor de quem acabou de tomar banho e passar colônia e pagaram entre 22 e 47,50 euros, cada um, para assistir a mais uma corrida da Monumental Celestino Graça, nome oficial da praça de touros da cidade. Do outro lado da arena, pagantes de bilhetes que começam em 7,50 euros suam e protegem-se do sol com bonés, chapéus e outros acessórios que, dali a pouco, muitos deles terão perdido.

Cerca de 8.000 pessoas estão na praça com capacidade para 13 mil espectadores, o que faz dela a maior de Portugal. Rapazes imberbes circulam vendendo bebidas. Uma banda filarmônica toca os primeiros acordes e os aficionados (como são chamados os fãs de touradas) fazem silêncio. E, então, descortina-se um cenário que parece saído de filme de época: oito homens com camisa branca, gravata e cinta vermelha, jaqueta bordada e calça (ambas marrons), de meia branca — todas as peças coladas ao corpo — fazem saudações sincronizadas ao público. São integrantes do Grupo de Forcados Amadores de Santarém. Eles trazem, sobre o ombro, um gorro verde e vermelho, o barrete.

O quadro se completa com a entrada triunfal de um homem sob vistoso cavalo branco. De casaco verde com bordados dourados, acena um chapéu da mesma cor para a plateia, que a essa altura já quebrou o silêncio em aplausos e gritos de entusiasmo. Em muitos aspectos, os personagens evocam uma atmosfera de tempos antigos, embora uma das maiores ofensas para os aficionados seja a classificação das touradas como “medievais”.

António Ribeiro Telles, um cavaleiro de 59 anos, porte elegante e pele bronzeada, voltou a trabalhar após ter sofrido traumatismo craniano e parada cardiorrespiratória durante uma corrida de touros, em agosto de 2021. Na ocasião, Telles caiu do cavalo e, atacado pelo touro, permaneceu cinco minutos no chão, inconsciente. Durante os 15 dias em que esteve internado, os fãs temeram pela vida do homem.

Apesar do trauma recente, Telles sorri quando um touro brabo, preto e com marcas a ferro entra na arena, em sua direção. Do alto do cavalo, ele enfia uma primeira bandarilha comprida — uma haste de plástico enfeitada de tecidos coloridos, com um arpão na extremidade — no dorso do animal. O público aplaude a performance, alguns de pé. Depois, Telles enfia outra bandarilha, e mais uma, depois outras, até que se veem, da arquibancada, os fios de sangue que partem dos pontos onde o arpão foi cravado. Entre uma investida e outra do cavaleiro, o touro defeca.

Pela atuação exemplar, Telles é autorizado a dar a volta na arena, antes de se retirar de cena. Os pagantes levantam-se e atiram chapéus, bonés, lenços e casacos na direção do homem. Ele nunca deixa de sorrir.

Voltam à arena os oito forcados do início do espetáculo. Nem todos concordam ser este o ponto alto de uma tourada, mas, para um espectador inaugural, o que se desenrola a partir dali é aterrador. À frente dos outros sete forcados, enfileirados, um jovem desafia o touro a partir para cima de si. Nesse momento, o animal já tem sangue a lhe escorrer por quase todo o corpo. Diante da provocação, esfrega a pata traseira no chão, levantando uma nuvem de areia, e corre na direção do jovem.

O rapaz tem pouco mais de 10% do peso do touro (600 kg). Pega-o pelo chifre, literalmente. Antes de ser atingido pelo animal, salta sobre ele e, com o auxílio dos colegas, domina-o. A impressão de quem vê a cena é de que o rapaz está sendo atropelado por um automóvel desgovernado. Apesar da elegância das vestes dos forcados, a cena não se destaca pela harmonia. Ao final, há oito homens sobre um touro ensanguentado, alguns deles a puxar-lhe o rabo, outros pendurados no pescoço do bicho, arrastando-se pelo chão.

Como conseguiram dominar o touro, são ovacionados. O animal deixa a arena. Dali cinco horas, no máximo, dará o último suspiro.

Em Portugal, ao contrário do que ocorre na Espanha, os touros não são mortos durante o espetáculo — a matança foi proibida por lei em 1928. A exceção são as cidades de Barrancos e Monsaraz, amparadas desde 2002 por uma mudança na legislação que permite a prática onde a tradição tem mais de 50 anos.

Depois de deixar a arena, os animais têm as bandarilhas extraídas e, na sequência, seguem para o matadouro. A carne é eventualmente aproveitada para alimentação. Em casos de braveza excepcional, são poupados da morte e retornam para o campo. Quando isso acontece, podem ser utilizados em corridas de touros populares, realizadas nas ruas, em pequenas cidades do país. Nas corridas profissionais, a regra estabelece que um touro pode entrar na arena uma única vez.

O fato de o bicho ser poupado da morte às vistas da plateia faz com que muitos considerem a tourada portuguesa — cuja figura central é o cavaleiro — mais palatável do que a espanhola, na qual o animal é executado na arena pelo toureiro a pé. São duas “expressões artísticas” com características próprias, de acordo com Helder Milheiro, secretário-geral da Protoiro, a Federação Portuguesa de Tauromaquia. Assim, ele tenta desfazer uma confusão que, segundo afirma, leigos costumam fazer: considerar as touradas um esporte.

“Trata-se de uma arte em ação, como o bailado, a ópera, a peça de teatro. Mas, ao contrário de outras artes performáticas, só é válida se for ética”, explica.

Milheiro é um homem de 42 anos cujos cabelos grisalhos, fala enérgica e sorrisos contidos dão a ele certo ar professoral. Ele diz que o toureiro precisa cumprir requisitos para que sua lida seja considerada uma obra de arte. Deve exibir virtudes como a coragem, o autocontrole e a honra, principalmente para com o animal. Não pode, por exemplo, enganá-lo ou atacá-lo pelas costas. “Tem que haver uma exposição ao touro, para que este também tenha a oportunidade de ganhar a disputa”, afirma.

Ele define a corrida de touros como um “espetáculo que celebra a vitória da razão sobre o caos e a violência da natureza”. Formado em filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, Milheiro tem entre seus pensadores preferidos o alemão Martin Heidegger.

Comento sobre as conhecidas ligações entre Heidegger e o nazismo. Estamos almoçando em um restaurante de carnes em Lisboa, nos arredores do Campo Pequeno, a principal praça de touros da cidade. “Heidegger hoje estaria canceladíssimo”, ele diz, com ironia — e algum ressentimento. A chamada “cultura do cancelamento” é, há pelo menos dez anos, uma das mais fortes inimigas da tauromaquia portuguesa.

Pressionadas por ativistas, marcas deixaram de anunciar nas corridas de touros e de patrocinar cavaleiros. A renda que, no passado, era incrementada por contratos polpudos de publicidade com grifes de roupas e relógios, além de fabricantes de bebidas, caiu de forma alarmante.

“Nos tempos atuais, minorias ofendidas condicionam a vida das maiorias”, afirma Milheiro. Mesmo os grandes toureiros sofrem com o temor das marcas de se associarem a uma atividade tida, por muitos, como cruel.

Por ano, as corridas de touros atraem cerca de 450 mil portugueses a praças como a de Santarém, segundo dados da Protoiro. As organizações que se opõem à atividade, no entanto, dizem que o número está inflacionado. De acordo com a plataforma Basta.pt, que luta pela abolição das touradas no país, o número vem caindo nos últimos anos. A plataforma cita dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas, órgão de pesquisas do governo: 283.592 espectadores em 2019 e apenas 62.446 em 2020 (queda provocada pela proibição de espetáculos devido à pandemia). “O declínio da tauromaquia é o reflexo de uma sociedade onde ganha cada vez mais importância o respeito e a afinidade pelos animais”, lê-se no site.

Após a performance de António Ribeiro Telles em Santarém, quem entra em cena é o cavaleiro Rui Fernandes, 43. Está montado em um cavalo branco. Tem cabelos loiros e esvoaçantes, olhos azuis, pele queimada de sol e um corpo esguio de 1,90m. Os dentes são tão brancos que, de longe, tem-se a impressão — equivocada — de que usa proteção na boca, como os lutadores de boxe.

Tão logo se põe diante de um touro marrom, Rui Fernandes golpeia-o com um arpão. A plateia entusiasma-se. Quando o animal já está transformado pela mistura de sangue e hastes coloridas enfiadas em sua pele, Fernandes faz o cavalo branco trotar ao som da música executada pela banda, como se estivesse dançando. Com o sorriso largo e os cabelos ao vento, esbanja simpatia. O público reforça os gritos e aplausos.

Fernandes tem 17,5 mil seguidores no Instagram. Suas fotos e vídeos recebem dezenas de comentários com emojis de foguinho, coração vermelho ou simplesmente a palavra “lindo”. Mesmo sendo um galã com certa popularidade, não tem, atualmente, nenhum contrato de patrocínio. A renda das corridas também diminuiu. “Há 14 anos, participava de 65 corridas. Hoje é a metade. O mundo está muito…”. Em vez de completar a frase, Fernandes dá um longo suspiro.

A entrevista se desenrola em um salão cujas paredes são decoradas com cabeças de animais empalhados, molduras de cartazes anunciando touradas e apetrechos de cavalaria. O cômodo faz parte de um amplo complexo com espaço para treinar e criar cavalos, na localidade de Charneca de Caparica, perto de Lisboa. Fica a poucos minutos da casa onde vive com a esposa e as duas filhas pequenas, de 8 e 2 anos.

Rui Fernandes fuma um cigarro enquanto conta a ocasião em que, na França, enfrentou um grupo de ativistas antitaurinos. “Ameaçaram puxar fogo ao meu caminhão com os cavalos dentro”, conta, entre baforadas. “Uma coisa é não gostar de touradas. Outra é agir assim”, diz, a respeito dos ativistas incendiários. Seu maior temor é o de que as filhas sofram ataques por causa do seu trabalho — não raro, é chamado pelos adversários de “assassino”. “Esses antitaurinos nos chamam de todas essas coisas. Mas pela internet. Gostaria que tivessem coragem de dizer isso na cara”, afirma.

Um dos adversários mais ferrenhos da tauromaquia portuguesa é o PAN, o Partido dos Animais. Porta-voz da sigla, a deputada Inês de Sousa Real defende o fim imediato das touradas. “Aquilo que temos dificuldade de compreender é que, em pleno século 21, se tenha tanta tolerância com uma atividade que consiste em provocar, deliberadamente, sofrimento aos animais”, escreveu em artigo recente no jornal Público.

Embora as touradas tenham, entre seus defensores, políticos de esquerda (incluindo comunistas e socialistas), nenhuma sigla abraçou a causa com tanto alarde como o Chega, partido de extrema direita liderado por André Ventura, candidato a presidente derrotado nas últimas eleições. Em abril, o partido apresentou um projeto para reduzir os impostos cobrados sobre os espetáculos tauromáquicos — “uma manifestação cultural e popular profundamente enraizada na sociedade e tradições portuguesas”, de acordo com o texto da proposta.

A associação entre direita e touradas é tão forte que, no site da Protoiro, há um tópico criado especialmente para tentar desfazê-la. “As corridas de touros são apartidárias e nada têm que ver com política. Dão-se corridas de touros e outros espetáculos taurinos em concelhos [municípios] de todo o país, concelhos esses que são dirigidos por efetivos de todas as cores políticas”, afirma o texto, citando o jornalista Daniel Oliveira — um dos fundadores do partido Bloco de Esquerda — como exemplo de aficionado progressista.

Além de uma suposta afinidade com a direita, há outras impressões que os tauromáquicos buscam combater. Uma delas é a de que o ambiente é excessivamente masculino. “Temos mulheres nas arenas desde, pelo menos, o século 19. Não digo que fosse um ambiente igualitário, mas havia espaço para elas se manifestarem”, afirma Helder Milheiro.

A atuação de mulheres como toureiras, no entanto, é mais recente. Uma das pioneiras é Ana Batista, uma bela mulher de 44 anos, mãos fortes, sobrancelhas alinhadas e postura de bailarina. Desde pequena, foi incentivada pelo pai — um criador de cavalos — a montar os animais. Também na infância, frequentou uma escola para formar toureiros. No ano 2000, tornou-se profissional. “De lá para cá, tenho construído minha trajetória com sentido de responsabilidade, entrega, esforço e muita paixão pelo que faço”, afirma.

Embora a presença de homens — e conceitos usualmente associados a um certo ideal de masculinidade, como virilidade, força e valentia — seja predominante no universo tauromáquico, Ana Batista afirma jamais ter sofrido preconceito de gênero. “Não me recordo de nenhum episódio desagradável. Bem pelo contrário, sempre senti apoio, afeto e muito encorajamento”, revela.

Devido às peculiaridades do trabalho, optou por não ter filhos. “Esta é uma profissão exigente e somos levados a vivê-la intensamente. Costumo dizer que os cavalos são os meus filhos. É com eles que estou diariamente e me dão muitas alegrias”, diz Batista, que também cria cachorros, ovelhas, galinhas, patos e coelhos — ela mora em uma fazenda na vila de Salvaterra de Magos, perto de Santarém.

Lá pelo quarto touro — ao todo, são seis — parte da plateia perde o interesse na corrida de Santarém, naquela tarde quente de 5 de junho. No lugar mais caro da arquibancada, uma garotinha de cerca de 10 anos aplica um protetor solar francês nas pernas, embora não esteja sob o sol. O touro sangra com intensidade ao receber a quarta bandarilha quando ela chega ao tornozelo e passa longos minutos a massagear a região, manchando o All Star branco.

Algo excepcional, no entanto, faz com que os desatentos — incluindo a garotinha — voltem os olhos para a arena. O forcado selecionado para enfrentar o touro não consegue agarrá-lo na primeira, na segunda e nem na quinta tentativa. Mesmo com a ajuda dos colegas, é quase esmagado pelo animal, de uma braveza que surpreende os aficionados. O jovem deixa a arena cabisbaixo, com sangue espalhado por uma das coxas, numa imagem chocante para quem não é do ramo.

Dentre os envolvidos numa tourada portuguesa, os forcados estão entre os que mais correm risco de morrer. Em 2017, Fernando Quintela, de 26 anos, faleceu após ser colhido por um touro de 530 quilos durante uma corrida. Nove dias antes, Pedro Miguel Primo teve o mesmo fim. Tinha 25 anos. A morte, no entanto, não os tornou menores aos olhos dos aficionados — sublinhou, para sempre, a valentia deles. “A tauromaquia espelha a condição humana em suas contradições”, afirma Helder Milheiro, para quem o toureiro está “na mesma condição existencial do poeta”. Mas com uma diferença: “O poeta pode fugir. O toureiro, não”.

Publicado em 1º de setembro de 2022. no UOL TAB

Reportagem Adriana Negreiros | Fotos e edição de imagem Lucas Lima | Mapa Carol Malavolta | Motion Leonardo Rodrigues | Direção de arte Gisele Pungan e René Cardillo | Edição Olívia Fraga

Portugal

CAP considera que a agricultura não é uma prioridade para o Governo

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera que a agricultura e os problemas presentes no setor não constituem uma prioridade para o Governo, frisando ainda, que muitos agricultores estão em risco de abandonar os terrenos.

O presidente da CAP acusa o Governo de não dar prioridade aos problemas do setor, devido à falta de água e que é urgente conhecer quais os projetos planeados para a agricultura.

Segundo Eduardo Oliveira, presidente da CAP, “O sector tem de ser informado, sobre o que é que o Governo pensa fazer em relação a esta temática, porque isso vai condicionar muito as decisões dos agricultores em continuarem ou não a fazer investimentos”.

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Portugal

Agricultor hospitalizado após mais de 20 dias em greve de fome em frente a São Bento

A hospitalização ocorreu no dia em que António Costa afirmou no Parlamento, que não havia nada a fazer pelo agricultor.

Luís Dias, o agricultor que se encontra em greve de fome há 22 dias, em frente ao Palácio de São Bento, ao final da tarde de quinta-feira foi hospitalizado, segundo o avançado na rede social Twitter pelo vice-presidente da associação Frente Cívica, João Paulo Batalha.

“Luís Dias foi hospitalizado ao final da tarde de hoje, 22º. dia de greve de fome. Já sentia dores desde ontem e seguramente não terá sido fácil ver hoje António Costa mentir ao Parlamento e assumir que lhe é indiferente se o Luís vive ou morre. Não desistimos de ti, Luís!”, pode ler-se na publicação.

O agricultor foi hospitalizado exatamente no mesmo dia em que Rui Tavares, deputado único do Livre, questionou António Costa relativamente às reivindicações de Luís Dias.

Respondendo ao deputado, o primeiro-ministro afirmou que o seu gabinete manteve o contacto com o agricultor “várias vezes ao longo dos anos em que tem estado em manifestações”, acrescentado que, de momento, não há nada que o Governo possa fazer para responder a essa situação”

O agricultor reagiu às declarações de António Costa no Twitter , “Nunca pensei que o primeiro-ministro pudesse mentir a meu respeito em pleno plenário. Só posso concluir que realmente planeia deixar-me morrer”.

A situação envolve um litígio em tribunal com agricultor, que em meados de 2017, ficou sem recursos para sobreviver devido a uma intempérie.

Tudo começou em 2015, quando Luís apresentou, junto da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) uma candidatura para ajudas financeiras de forma a avançar com uma exploração de amoras na Quinta da Zebreira, em Castelo Branco.

Segundo a DRAPC, a candidatura foi recusado devido à ausência de garantias bancárias.

Luís recorreu ao Tribunal de Contas Europeu, que lhe deu razão, explicando que as garantias bancárias não podiam ser exigidas.

Em meados de 2017, o mau tempo destruiu a sua exploração e o agricultor voltou a pedir auxílio à DRAPC e verbas para compensar os prejuízos provocados pela intempérie, mais uma vez a ajuda voltou a ser negada.

Anos depois, Luís voltou a recorrer à provedora de Justiça, e o Ministério da Agricultura, num despacho, considerou que o agricultou poderia ter acesso a verbas do Estado, contudo, até ao momento, não foi feito qualquer pagamento.

Em plena campanha eleitoral António Costa prometeu solucionar o problema, mas oito meses depois a situação permanece igual. Período esse em que o agricultor e grevista Luís Dias, realizou três greves de fome.

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Portugal

“É preciso combater o discurso do não às barragens”, diz presidente da CAP

© CAP

O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), posiciona-se contra aqueles que contestam a construção de reservas de água, afirmando que “é preciso combater os discursos do não às barragens”.

Eduardo Oliveira falava em Bragança no encerramento da Jornada dos Cereais do Norte, referia-se aos acontecimentos dos últimos dias, no que diz respeito à interrupção da transferências de água do rio Douro para Portugal. O dirigente acrescenta ainda que é imperativo implementar uma estratégia para a água que inclua as barragens.

Segundo o presidente da CAP em Portugal impera a estratégia do “não”, do “não” quererem fazer mais barragens.

“E se não querem fazer mais barragens, então como é que vamos pedir aos espanhóis, que as fizeram e que têm alguma água nas barragens, (como) vamos exigir a eles, dizer-lhes que a agua que eles reservam nas barragens, que eles fizeram, é nossa?”.

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Agricultura

As características das vinhas influenciam o potencial das aves como aliadas no controlo de pragas

Estudo da Universidade de Évora (UÉ) demonstra que as características das vinhas influenciam o potencial das aves como aliadas no controlo de pragas. Essencial para “facilitar uma agricultura mais biológica e com menor uso de químicos” o resultado final, “são melhores vinhos e a proteção da natureza” evidencia Rui Lourenço, investigador do LabOr-MED e primeiro autor do artigo publicado na revista Ecological Indicators (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1470160X20311900).

Um grupo de investigadores do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) e do Departamento de Biologia da UÉ envolvidos neste estudo apontam que as “vinhas de pequena dimensão rodeadas por paisagens heterogéneas estão potencialmente mais protegidas de pragas de insetos”, isto porque estas promovem uma maior diversidade funcional de aves. São o cartaxo-comum, a cotovia-comum, a cotovia-escura, a felosa-poliglota, o rouxinol-do-mato, a toutinegra-de-cabela-preta, ou ainda a poupa, as aves insetívoras comuns nas vinhas que apresentam maior potencial de controlo de pragas.

O investigador recorda que estas aves alimentam-se de lagartas, traças, escaravelhos, cigarrinhas e outros invertebrados, combatendo de forma natural as pragas nas vinhas e os resultados agora divulgados “permitem aos vitivinicultores definir boas práticas, beneficiando os produtores mas também a biodiversidade” destacam.

“A heterogeneidade da paisagem junto às vinhas pode ser alcançada através da conservação de habitats ripícolas, sebes naturais, árvores, muros de pedra e edifícios rurais, e esta complexidade estrutural beneficia as comunidades de aves fornecendo alimento, abrigo e locais de nidificação” frisa o investigador. Os índices de diversidade funcional são indicadores da composição das comunidades de aves que se baseiam não só nas espécies presentes, mas também nas suas características (por ex. peso, estratégia de alimentação, local de alimentação e dieta). Assim, a diversidade funcional pode refletir o potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves.

“As aves têm um grande potencial no controlo de pragas porque muitas espécies são insetívoras, têm várias funções (por ex. variedade de habitats de alimentação e comportamentos), e são comuns na maioria dos habitats” destaca Rui Lourenço, adicionalmente, destaca que “existem provas que as aves desempenham o serviço de biocontrolo em vinhas e noutras culturas”, acrescenta o doutorado em Biologia pela Universidade de Évora que se têm dedicado há mais de 20 anos à investigação na área da ecologia e conservação de aves.

Desta forma, as vinhas formam paisagens com gestão intensiva, sendo suscetíveis a diversas doenças e pragas causadoras de prejuízos consideráveis verificando-se aqui várias espécies de insetos que podem tornar-se pragas, afetando principalmente as folhas e as uvas, exemplo disso, a traça da uva ou a cigarrinha-verde.

As comunidades de aves foram amostradas neste estudo utilizando pontos de escuta em 31 parcelas de vinha localizadas no distrito de Évora que representavam diferentes práticas de gestão e contextos de paisagem. Nestes pontos de escuta os investigadores detetaram a aves por audição e observação, “um método que permitiu contabilizar sobretudo as aves que estavam nas vinhas e com maior potencial de prestar serviços de controlo biológico, descartando as que estavam em habitats mais afastados” elucida Rui Lourenço.

O Investigador MED da academia eborense destaca que “a diversidade funcional de aves foi mais elevada em vinhas pequenas rodeadas por paisagem mais diversificada com árvores”, quando comparadas com vinhas de média dimensão rodeadas sobretudo por parcelas agrícolas, ou ainda em vinhas de maior dimensão e frequentemente rodeadas por outras vinhas.

Desta forma sublinha-se o facto das vinhas de menor dimensão situadas em paisagens mais heterogéneas que incluam zonas arborizadas parecem ter uma maior biodiversidade funcional de aves, “facto que deverá estar associado a um maior potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves insetívoras” realça ainda a este respeito o investigador.

É inequívoco o valor que o vinho e a vinha têm para o nosso país, “e são muito relevantes para a economia regional em muitos países e as aves podem ser importantes aliadas da chamada “vinecologia”, realça o investigador da UÉ, integrando as práticas ecológicas na viticultura “que vão de encontro à procura crescente por parte de consumidores de vinhos de qualidade e promotores da sustentabilidade ambiental” conclui Rui Lourenço.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Novas ferramentas para a monitorização e avaliação de serviços de ecossistemas em sistemas de produção tradicionais do Alentejo sujeitos a intensificação”, financiado pelo programa Alentejo 2020.

Divisão de Comunicação da Universidade de Évora

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