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Sociedade

AMP em conselho consultivo sobre encerramento da refinaria de Matosinhos

A Área Metropolitana do Porto (AMP) vai integrar o conselho consultivo criado pelo município de Matosinhos para avaliar e refletir sobre o encerramento da refinaria da Galp, indicou hoje o presidente daquela entidade.

“Tivemos um convite do município de Matosinhos para participar na comissão de acompanhamento do encerramento da refinaria, tendo ficando assente que, como presidente [do Conselho Metropolitano do Porto], participaria, atendendo ao impacto do processo na região”, revelou Eduardo Vítor Rodrigues em declarações à Lusa, na sequência da reunião do Conselho Metropolitano desta manhã.

A criação deste conselho consultivo e de um grupo trabalho especializado foi anunciada a 02 de fevereiro pela presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro.

A Galp anunciou em dezembro a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano, uma decisão que põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

“Na verdade, independentemente de ninguém conseguir perceber se os trabalhadores são de Matosinhos, ou de Gaia ou de Porto – o que interessa é que há um impacto em número de postos de trabalho, um impacto económico e sobretudo há uma incerteza sobre o futuro”, disse, destacando os receios ambientais envoltos numa eventual exploração de lítio ou hidrogénio.

Apesar da solidariedade dos municípios para com esta situação, autarca reconheceu, contudo, que esta é uma decisão dos privados, sendo que o papel da Comissão Técnica que integrará será o de sensibilizar o Governo para que se envolva neste processo.

“Como disse o presidente [da Câmara do Porto] Rui Moreira: o que era necessário para o Governo se envolver é muito menos do que já pagou para a TAP e a refinaria é um ativo estratégico que serve a região se calhar mais do que a TAP”, rematou.

Na quinta-feira, cerca de uma centena de trabalhadores concentraram-se frente à Câmara do Porto para contestar o anunciado encerramento da refinaria de Matosinhos, pedindo respeito pelos seus direitos.

À data, e em declarações aos jornalistas, o presidente da autarquia questionou se não seria razoável o Governo intervir no encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, depois de ajudar a TAP com 1.500 milhões de euros.

“O que pergunto é se é razoável ajudar a TAP com 1.500 milhões de euros para manter uma operação que, neste momento, por razões conjunturais, não é sustentável, não seria que o Governo também deveria intervir nesta matéria [fecho da refinaria] para garantir a falha de mercado e não perdermos esta capacidade”, perguntou o autarca independente, enquanto ouvia os trabalhadores do complexo petroquímico.

De acordo com o que foi avançado no início do mês pela autarquia de Matosinhos, o conselho consultivo integra várias instituições e personalidades, entre as quais a Porto Business School, CEiiA, ADPL , Unidade Local de Saúde de Matosinhos, Efacec, Unicer ou investigador Sobrinho Simões.

Já o grupo de trabalho técnico é composto pelas faculdades de Economia e Engenharia e o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) e tem como missão elaborar um estudo sobre os impactos socioeconómicos no concelho, assim como reunir informação “rigorosa e científica” sobre o tema da energia.

O estudo deverá estar concluído em abril, revelou o município, à data.

Lusa

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