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Internacional

Agência da ONU diz que seguem confrontos esporádicos em Palma, Moçambique

Cidade em Cabo Delgado foi atacada por terroristas em 24 de março; com comunicações interrompidas, ONU diz que é difícil obter número exato de mortos, mas há relatos de que dezenas podem ter perdido a vida nos ataques. 

Agências da ONU e parceiros humanitários estão respondendo rapidamente à crise em Palma, no norte de Moçambique, após os ataques de terroristas e extremistas islâmicos em 24 de março. 

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, ainda havia relatos de confrontos esporádicos na cidade de Palma na manhã desta terça-feira. 

Deslocados 

A agência está extremamente preocupada e diz que a situação no terreno “ainda é muito volátil e dinâmica e há poucas informações disponíveis.” Unicef/Mauricio BisolDeslocados fazem fila para obter água em Metuge, província de Cabo Delgado, em Moçambique

Muitos dos evacuados viram seus familiares serem mortos e se esconderam na floresta para fugir de homens armados e grupos não-estatais. Outros não sabem o paradeiro de seus parentes. Muitas casas foram destruídas. 

A OIM enviou equipes em áreas que estão recebendo os deslocados internos. Muitos fugiram apenas com a roupa do corpo. 

Assistência 

Até a manhã desta terça-feira, 3.361 deslocados internos, ou 672 famílias, haviam sido registrados chegando a pé, de ônibus e de barco de Palma aos distritos de Nanagde, Mueda, Montpeuze e cidade de Pemba. Cerca de 1,7 mil estavam em Mueda. 

Cerca de 350 chegaram a Pemba, capita da província de Cabo Delgado, em barco, avião e pela estrada. A agência está preocupada com o influxo de mais refugiados por mar, dizendo que o número de pessoas deslocadas é provavelmente maior. 

Essa assistência inclui insumos e aparelhos médicos, como cadeiras de rodas ou muletas, distribuição de itens de emergência como máscaras, baldes, tabletes purificadores de água, e sabão para ajudar a prevenir a propagação de Covid-19 e cólera. Também estão sendo distribuídos abrigos básicos e utensílios domésticos. Saúde mental, aconselhamento psicossocial e assistência de proteção já foram fornecidos a centenas de pessoas. 

De acordo com os últimos números da OIM, um total de 670 mil moçambicanos foram deslocados internamente no norte do país desde o início dos ataques em outubro de 2017. 

Crianças 

A porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Marixie Mercado, que está em Pemba, contou que a agência estava recebendo crianças retiradas pelos Serviços Aéreos Humanitários da ONU, no aeroporto da cidade. 

No avião, havia pelo menos sete menores desacompanhados. Muitos passaram dias escondidos no mato, sem comida e água. 

No Hospital de Pemba, as autoridades locais fazem o possível para cuidar das crianças feridas. Um menino de 13 meses que estava com a mãe tinha uma bala alojada em sua perna. A cirurgia está prevista para esta quarta-feira. 

Apoio 

Antes da crise em Palma, já havia cerca de 350 mil crianças deslocadas pelo conflito armado em Cabo Delgado.  

Nesse momento, existe um surto de cólera e a Covid-19 está se espalhando.  

A porta-voz do Unicef lembrou que “as pessoas têm lidado com um choque após o outro, incluindo ciclones e eventos climáticos extremos, desde 2019” e pediu que a comunidade internacional “não se esqueça dos filhos de Cabo Delgado.” Unicef/Ricardo FrancoPessoas deslocadas pela violência em Cabo Delgado estão recebendo ajuda humanitária

Segundo o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, existem mais de 110 mil pessoas no distrito de Palma e cerca de 40% são deslocados de outras partes de Cabo Delgado.  

Nesse momento, as comunicações estão interrompidas em Palma e é extremamente difícil verificar as informações sobre a situação. No entanto, a agência recebeu relatos alarmantes de que dezenas de civis podem ter sido mortos durante os ataques e confrontos. 

Gás natural 

Os relatos indicam que milhares de pessoas fugiram para o mato em redor da cidade, enquanto vários milhares procuraram refúgio perto do local de gás natural de Afunga, que fica a 15 km por estrada. 

Milhares de pessoas devem percorrer o caminho a pé, de barco e de estrada para alcançar destinos mais seguros, incluindo Pemba, cerca de 400 km ao sul ao longo da costa.  

Também há relatos de pessoas fugindo em outras direções, incluindo para a fronteira com a Tanzânia e para oeste pelo mato em direção aos distritos de Mueda e Montepuez. 

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