Política

REPORTAGEM: Presidenciais: Trio de seguranças sempre com um olho em Ventura

Corpos musculados, cabelos curtos ou rapados, fatos, gravatas, sobretudos com pins na lapela e auriculares de intercomunicação são comuns ao trio que acompanha quaisquer movimentações em torno do candidato presidencial do Chega.

André Ventura tem sido alvo de insultos e ameaças desde que foi eleito deputado, em outubro de 2019, em resposta ao seu discurso contra as “minorias de bandidos que não fazem nada” e “vivem à custa da metade do país que trabalha”.

Fonte oficial da candidatura disse à agência Lusa que “a avaliação do risco é feita diariamente, empregando-se o efetivo de segurança considerado adequado para cada ação”, mas “por razões de segurança” escusou-se a partilhar outras informações, como o nome de código utilizado pela equipa de segurança para tratar Ventura ou o tipo de arma que estes “homens do presidente” escondem à cintura.

Só nos primeiros cinco dias de campanha oficial, a comitiva do Chega já enfrentou protestos por parte da comunidade cigana e de ativistas antifascistas (“antifas”) em Serpa, Portimão, Portalegre e Castelo Branco.

Em todas as ações de propaganda ao longo do país nota-se a presença de forças de segurança locais: Guarda Nacional Republicana (GNR), Polícia de Segurança Pública (PSP) e até Polícia Marítima, conforme as jurisdições, além de agentes à paisana, que mantêm uma vigilância mais distante e coordenam as operações com ‘walkie-talkies’.

“As autoridades competentes até agora não enviaram quaisquer elementos do Corpo de Segurança Pessoal (CSP) da PSP para garantir a integridade física do nosso candidato. As informações que nos chegam são de que o grau de ameaça física é cada vez maior, mas a situação foi sempre sendo controlada pelos nossos seguranças”, disse à Lusa o mandatário nacional, diretor de campanha e membro da direção nacional do partido, Rui Paulo Sousa.

“Normalmente, tem sido através de mensagens enviadas pelas redes sociais. As mais graves foram sempre reportadas às autoridades competentes. Nos últimos meses, conforme a nossa subida nas sondagens, o grau de ameaça tem vindo a subir de tom. Durante os jantares/comícios da pré-campanha, existiram situações mais complicadas, com tentativas de infiltração de elementos estranhos para causar distúrbios e, possivelmente, tentar agredir o André”, continuou Rui Paulo Sousa.

O artigo 3.º, n.º 3, alínea C) da Lei n.º 53/2007 determina que é “atribuição da PSP garantir a segurança pessoal dos membros dos órgãos de soberania e das altas entidades nacionais ou estrangeiras, bem como de outros cidadãos, quando sujeitos a situação de ameaça relevante”.

O Corpo de Segurança Pessoal (CSP), constituído por polícias com formação específica e certificados para a missão, é uma subunidade da Unidade Especial de Polícia (UEP), que contempla ainda o Corpo de Intervenção, o Grupo de Operações Especiais (GOE), o Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo (CIESS) e o Grupo Operacional Cinotécnico (GOC) – duplas de homem e cão.

O CSP nasceu como unidade especial em dezembro de 1994. É uma força vocacionada para a segurança pessoal de altas individualidades do Estado, proteção de testemunhas ou outros cidadãos em risco.

Em 1974, o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa criou as primeiras equipas de proteção pessoal.

Dois anos depois, tornaram-se um grupo especial e, em 1979, formou-se a Divisão de Segurança da PSP de Lisboa, que protegia instalações sensíveis na capital e protegia determinadas figuras.

“Por motivos de segurança, não posso revelar a quantidade de elementos que compõem a equipa de segurança direta do André”, disse Rui Paulo Sousa, ex-dirigente da Aliança em Santarém, empresário de 53 anos e antigo “simpatizante do CDS-PP”, formado em Gestão.

Segundo este responsável, há uma semana, aquando da visita de apoio da presidente da União Nacional (Rassemblement National) francesa, Marine Le Pen, houve uma equipa de cinco elementos do CSP que foram destacados para zelar pela segurança da líder da extrema-direita gaulesa e mais “outra equipa avançada”, que se coordenaram com os seguranças franceses.

Rui Paulo Sousa disse à agência Lusa que a despesa com a segurança privada de Ventura para os 13 dias de período oficial de campanha das Presidenciais2021 “ronda 2.500 euros”.

A caravana presidencial de Ventura é constituída por uma carrinha monovolume e duas berlinas topo de gama, todos com vidros fumados e de uma marca automóvel alemã.

Em cada local de propaganda, chegam primeiro os assessores de imprensa e dirigentes partidários no primeiro veículo, seguindo-se as outras duas viaturas, que transportam o líder, acompanhado pelo trio de seguranças, e outros responsáveis mais destacados do partido.

Ao volante do carro utilizado pelo deputado único do Chega está sempre Luc Mombito, amigo de Ventura e seu colega dos tempos do seminário de Penafirme.

Este funcionário e militante do Chega, com afinidade assumida com o antigo ditador do Zaire Mobutu Sese Seko, desempenha as funções de motorista e assistente pessoal do concorrente ao Palácio de Belém.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

LUSA

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