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Entrevista

Susana Pádua: “Medidas implementadas são avulso e pouco consistentes”

Nova líder do PS Santiago do Cacém em entrevista ao Canal Alentejo

Susana Pádua é a nova presidente do PS em Santiago do Cacém
Susana Pádua é a nova presidente do PS em Santiago do Cacém

O CANAL ALENTEJO entrevistou esta semana Susana Pádua, Presidente da Concelhia do Partido Socialista (PS) em Santiago do Cacém e deputada municipal na Assembleia Municipal do mesmo concelho.

A líder do principal partido da oposição na cidade de Santiago do Cacém, conta-nos como tem atravessado a crise pandémica que ainda experienciamos, partilha as suas preocupações com o futuro económico do concelho e deixa as suas considerações sobre a forma de atuação da autarquia, liderada por Álvaro Beijinha (CDU), durante este novo período.


De que forma a crise pandémica que vivemos a afetou, pessoal e profissionalmente?


Esta crise pandémica afetou a vida de todo o mundo, a minha não foi exceção. Tanto a nível pessoal como profissional foram necessárias várias adaptações. O mais difícil foram os dias de isolamento quase total, mas nos momentos mais difíceis temos de ter a capacidade de não desistir e de nos reinventarmos. Assim, tornou-se necessário estabelecer uma nova rotina pessoal e novas metodologias de trabalho.
Enquanto Educadora de Infância de profissão, ter de conviver com a educação à distância foi particularmente difícil. A minha principal preocupação foi manter a ligação pedagógica com as crianças. Para tal, passei a utilizar novas ferramentas de trabalho. As plataformas digitais assumem agora o papel principal. Na minha ação esteve e estará sempre presente a vontade de chegar a todas as crianças e famílias, de não deixar ninguém para trás, por forma a não criar desigualdades.

“(…)a atividade política do PS de Santiago do Cacém não ficou suspensa. Sofreu alterações, mas continua com a força e determinação em tornar melhor a vida dos Munícipes de Santiago do Cacém.”



Foi eleita em janeiro e certamente não esperava que durante os seus primeiros meses de mandato ocorresse simultaneamente uma crise como esta. De que forma esta tem afetado também o seu trabalho enquanto Presidente da Concelhia do PS em Santiago do Cacém?

Enquanto presidente da comissão política estava na fase de elaboração do plano de atividades para o mandato. Todas as atividades previstas tiveram de ser canceladas devido ao período de confinamento. Contudo, a atividade política do PS de Santiago do Cacém não ficou suspensa. Sofreu alterações, mas continua com a força e determinação em tornar melhor a vida dos Munícipes de Santiago do Cacém.
A nossa atividade politica teve de se adaptar a esta nova realidade e tem sido feita com recurso aos meios digitais que temos à nossa disposição. Mais uma vez, as plataformas digitais assumem especial relevo permitindo-nos a comunicação permanente entre o Secretariado Concelhio, os Secretariados das Secções, os autarcas e munícipes. Ainda esta semana realizámos uma videoconferência com os autarcas eleitos nas freguesias para perceber o impacto que esta pandemia está a ter na vida das pessoas e da nossa comunidade.

[a gestão de crise da Câmara] “anda a reboque das medidas implementadas noutros Municípios”



Como é que avalia a gestão de crise feita pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém?

Considero que a ação da Câmara Municipal de Santiago do Cacém para minimizar os eventuais efeitos da pandemia no nosso Concelho ficam pelos mínimos, isto é, apenas para não ter falta de comparência. Constata-se que anda a reboque das medidas implementadas noutros Municípios e que muitas das medidas implementadas são avulso e pouco consistentes.
 
Como alguns exemplos, temos as estruturas de apoio (logístico de retaguarda) que foram organizadas (anexo ao Pavilhão de Desportos e junto às instalações da CCAM próximo do Hospital do Litoral Alentejano),as quais felizmente para todos não têm utilização significativa.
  
 A desinfeção das vias públicas, ou até mesmo uma simples lavagem dos contentores do lixo ou papeleiras que num primeiro momento parecia resultar de um plano consequente deixou, ao que consta, de se fazer com a periodicidade que garanta a efetiva higienização do espaço publico e permita as condições de segurança e saúde dos munícipes.
 
Ao nível do apoio às famílias carenciadas, e no que diz respeito à disponibilização de refeições,somente as famílias dos alunos com escalão A se encontram a beneficiar de serviço de refeição (almoço), que é disponibilizado às crianças nos refeitórios escolares, situação que o PS de Santiago Cacém lamenta, pois todas as famílias dos alunos escalão A e B deveriam, desde o início, ter sido abrangidos.

“(…)deveria estar já a decorrer uma avaliação do efeito desta crise nas empresas e nas famílias do município e das suas necessidades.”

O que teria feito diferente?
 
O PS de Santiago de Cacem, à semelhança do que acontece noutros municípios de gestão PS, teria sido proactivo. Para além das concretizadas redução ou suspensão das taxas camarárias e direitos de superfície para as empresas que viram a sua atividade afetada, teríamos de forma pró-ativa e com o envolvimento do Gabinete de Crise, promovido um apoio mais consequente às famílias afetadas pelo lay-off e/ou desemprego consubstanciado pela não cobrança e/ou redução do IMI (consoante a gravidade dos casos) e apoio escolar suplementar aos filhos das famílias afetadas. A suspensão do IMI seria extensível às empresas afetadas após análise caso a caso.
 
No domínio social deveria ter sido desenvolvido o “cheque alimentação” a concertar com os estabelecimentos existentes no Concelho (restaurantes e supermercados) e interessados em participar e para o qual seria afetada uma verba do orçamento.
 
Faríamos uma fiscalização mais apertada das obras municipais em curso, com o objetivo, de se avaliar o cumprimento dos prazos previstos para a sua conclusão (com as devidas alterações face á pandemia), e também, avaliar as condições dos trabalhadores nelas envolvidos, nomeadamente, a utilização dos epi´s [equipamentos de protecção individual] aconselhados pala DGS no âmbito do combate à pandemia.
 
Neste momento deveria estar já a decorrer uma avaliação do efeito desta crise nas empresas e nas famílias do município e das suas necessidades.
 
Com o objetivo de sustentar a retoma da atividade económica e preparar o verão, estaríamos já a envolver as Empresas do Concelho, a preparar ações de divulgação e promoção de Santiago do Cacém, nos órgãos de comunicação social com expressão nacional, mostrando o melhor do nosso Concelho.

“(…)todos os Portugueses puderam constatar a importância do SNS criado pelo Partido Socialista”


 
 
Concorda com a forma como tem sido iniciado o processo de desconfinamento, por parte do Governo?

O Governo tem gerido primorosamente esta crise desde o primeiro momento. A forma como esteve durante o Estado de Emergência promovendo a defesa simultânea da saúde pública, do direito dos trabalhadores e das necessidade das empresas perante a total falência do mercado, foi de importância decisiva para podermos minimizar os efeitos da pandemia.
Esta pandemia foi exatamente o momento em que todos os Portugueses puderam constatar a importância do SNS criado pelo Partido Socialista, a importância do Estado Social, de um Governo que apoia os portugueses e mantém a democracia a funcionar.
 
Quanto à questão do desconfinamento que coloca, todos os dados apontam para a simultânea possibilidade e necessidade de o mesmo acontecer.
 
Possibilidade porque o investimento feito no SNS, o resultado do controle da pandemia até agora conseguido e o comportamento da generalidade dos portugueses, permitem promover com alguma segurança a retoma ordenada da vida. Esta retoma que está a ser monitorizada de forma exigente por todas as entidades envolvidas, requer de todos nós o maior cuidado no respeito pelas normas de higiene e seguranças divulgadas pela DGS.
 
 O País tem de retomar a sua atividade, as empresas precisam de recomeçar a funcionar e as pessoas de voltar ao trabalho. Só assim as sociedades se conseguem sustentar de forma equilibrada e saudável como todos nós pretendemos.
 
Têm-lhe chegado algum tipo de preocupações, por parte do tecido empresarial santiaguense?

 
As preocupações existentes e demonstradas pelo tecido empresarial prendem-se todas com a forte quebra generalizada da procura.
 
Que área considera mais preocupante?

Preocupa-me significativamente a situação das micro e pequenas empresas, entre elas, o comércio local e restauração.  
 
Entendo que as preocupações e necessidades sentidas pelo tecido empresarial não podem ficar apenas pelos auxílios resultantes da solidariedade, que sendo importantes não conseguem resolver o módico necessário. Nestes casos os auxílios financeiros, com a cobertura do Estado a disponibilizar pela Banca, têm de ser acionados e rapidamente concedidos.
 
O Partido Socialista de Santiago do Cacém tem como objetivo, na sua relação com o tecido empresarial do Concelho, a redução dos custos de instalação e de funcionamento no que à autarquia diz respeito (ex: licenciamentos, taxas, acessibilidades, obras Zil [Zona Industrial Ligeira] Santo André) e tem-se vindo a debater por isso, não somente neste momento de crise pandémica, mas ao longo do tempo.

Susana Louro Caiado Pádua tem 54 anos, é Educadora de Infância de profissão e foi eleita Presidente da Concelhia do Partido Socialista em Santiago do Cacém a 31 de janeiro de 2020, tendo tomado posse no dia 12 de fevereiro do mesmo ano.
 

Na próxima semana, o Canal Alentejo entrevista Luis Filipe Santos, presidente da Concelhia do PSD de Santiago do Cacém.

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