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Política

PS quer atrair jovens quadros para participação na atividade política

O Partido Socialista vai ter uma academia de formação política com o objetivo principal de atrair jovens quadros para a participação na atividade política. Esta iniciativa constitui uma das pedras angulares da estratégia do Secretário-geral Adjunto para o PS, que pretende captar a atenção do eleitorado jovem e abstencionista. Em entrevista ao jornal Público, José Luís Carneiro explica que está focado no combate à abstenção e na consolidação dos resultados autárquicos do Partido.

Na primeira grande entrevista como número dois do Partido Socialista, José Luís Carneiro, 48 anos, revelou os seus grandes objetivos estratégicos e explicou como pretende atingi-los, falando igualmente de temas internos. O Secretário-geral Adjunto, que está igualmente concentrado na organização do processo eleitoral interno que culminará com o Congresso de Portimão já no final de maio, quer uma dinâmica acrescida no processo de captação de novos militantes e simpatizantes, prosseguindo a abertura do Partido à sociedade civil.

José Luís Carneiro explica que está a preparar “um eixo de pensamento e de formação política”, pelo que “está prevista a criação de uma academia, que será apresentada este trimestre (…) com o envolvimento de cidadãos, de jovens, de investigadores, de universidades de todo o país”, para fazer “a avaliação da coerência entre as opções de política nacional e local com os programas do Governo, os eleitorais e os princípios do partido”, tendo “uma segunda linha de trabalho que tem que ver com a criação de uma academia de formação (…), uma escola de quadros, de formação política e técnica”. O Secretário-geral Adjunto adianta que esta academia “permitirá que, aqueles que não são militantes do PS, que são simpatizantes ou até de outras áreas políticas, possam sentir-se à vontade, participando nas ações que vão ser realizadas” e que “funcionará como formação regular, permanente, em que envolveremos membros do Governo, Deputados à Assembleia da República, ao Parlamento Europeu, professores e investigadores universitários em ações de formação para jovens quadros de todo o país”. A ideia é também descentralizar: “gostaria também que essa formação não ficasse centrada aqui em Lisboa, pudesse percorrer o país, como se fez no pós-25 de Abril, com as campanhas de alfabetização”.

No que diz respeito às próximas eleições autárquicas, José Luís Carneiro lembra que “o PS bateu recordes em 2013 e em 2017” e que “não se pode exigir que estejamos sempre a bater recordes”, pelo que “o objetivo é consolidar as conquistas alcançadas nestes últimos anos”. Tendo em conta que “o PS é hoje o maior partido nas autarquias, temos presença em todos os distritos, temos a presidência da Associação Nacional de Freguesias e a da Associação Nacional de Municípios”, para José Luís Carneiro trata-se agora de entrar numa nova fase, a de “aperfeiçoar as nossas políticas em áreas muito relevantes para a vida das pessoas e que possamos olhar para o processo de descentralização como um passo muito positivo”, levando “o poder aos cidadãos”.

Recusando tecer qualquer comentário ao momento interno do PSD, José Luís Carneiro não deixou de responder às questões sobre “tendências internas no PS”, para dizer que considera que “o PS é um partido livre e democrático e teve, na sua constituição e desenvolvimento até hoje, uma grande pluralidade e diversidade de opiniões. É importante que o maior partido, que teve grandes responsabilidades nas conquistas fundamentais do país, tenha no seu interior esta diversidade. Esta é também a riqueza do PS e faz com que seja um partido tão apelativo”, justificou. Acrescentou ainda que considera que estas tendências “são muito positivas”, “são a seiva da vida do PS” e que “o fundamental é que essa diversidade resulte daquilo que historicamente é muito relevante nas sociedades ocidentais: uma tensão, normal, natural e regular, entre o valor da igualdade, por um lado, e o valor da liberdade, por outro.”

No domínio da consolidação do posicionamento político do PS, o Secretário-geral Adjunto do PS anunciou um novo ciclo de iniciativas de Diálogo Intergeracional, que decorrerão na própria Sede Nacional do PS, ao fim do dia, no jardim. O Diálogo Intergeracional terá como foco um conjunto de personalidades de uma geração mais velha que estão disponíveis para dialogar e estar em contacto com os mais jovens. O objetivo é “registar as declarações e depois, com metodologias de comunicação adequadas aos jovens, transmitir-lhes esse contributo dos mais velhos”, permitindo “aos jovens criar consciência do que foram as conquistas democráticas e o esforço para as atingir”.

Com este objetivo de aproximar o Partido dos mais jovens, José Luís Carneiro sublinha as novidades estatutárias que estão a ser aplicadas no processo de escolha internas das novas estruturas e das novas lideranças, lembrando que “os jovens da JS com 18 anos passam a integrar os cadernos eleitorais e podem votar na escolha do Secretário-geral”, da mesma forma que “temos, neste momento, seiscentos simpatizantes inscritos com mais de seis meses antes das primárias, que vão agora poder participar” também. Além disso, José Luís Carneiro lembra que “há um segundo esforço de abertura muito relevante para os jovens e para as mulheres”, tendo em conta que “estamos a organizar, pela primeira vez, a eleição de estruturas locais das Mulheres Socialistas”. José Luís Carneiro afirma que “pelo que estou a observar, vai ser um fator muito importante de dinamização e mobilização das comunidades locais para a participação política”. As primeiras eleições deste ciclo terão lugar em todo o país nos próximos dias 31 de janeiro e 01 de fevereiro e destinam-se à eleição das novas estruturas concelhias do Partido Socialista e das Mulheres Socialistas.