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Agricultura

Portugal tem 381 espécies de flora ameaçadas

Um estudo realizado entre 2016 e 2019, resultou na publicação da primeira da “Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental”. O documento reúne a lista das 381 espécies em risco de extinção em Portugal Continental.

Uma equipa formada por 86 membros e 100 colaboradores de diversas especialidades analisou, durante três anos, as mais variadas espécies de plantas existentes no território continental. Ao todo foram catalogadas 630 plantas vasculares, o que representa um quinto da flora vascular continental (total de 3300 plantas vasculares).

O projeto esteve a cargo de duas associações científicas sem fins lucrativos, a Sociedade Portuguesa de Botânica e a Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação (PHYTOS), em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.  Segundo o sistema de critérios e categorias da União Internacional para a Conservação da Natureza, há 381 espécies ameaçadas e 106 plantas na categoria de Quase Ameaçada. A lista mostra ainda que 84 plantas estão Criticamente em Perigo (CR), 128 em Perigo (EN), 169 Vulneráveis (VU). Há ainda duas espécies que foram dadas como extintas em Portugal Continental e 17 que fazem parte da categoria de Regionalmente Extintas (RE). O estudo incidiu sobre as plantas vasculares, que constituem a maior componente da flora. Durante os trabalhos de campo foram descobertas oito novas espécies de plantas.

Carlos Aguiar, do Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança,sublinha que a “última década prova, de forma inequívoca, que a biota terrestre enfrenta um nova extinção em massa”, causada sobretudo pela ação do Homem. Miguel Porto e Ana Francisco, da Sociedade Portuguesa de Botânica, na introdução do documento, também referem que a “ação humana direta, nas suas mais variadas vertentes, encabeça a lista de ameaças identificadas que estão a contribuir para o declínio e a extinção de muitas espécies da nossa flora”.

O desenvolvimento urbano e de infraestruturas, a expansão da agricultura industrial intensiva em larga escala e as más práticas de gestão da vegetação, tais como o uso de herbicidas e as desmatações recorrentes, são as principais causas do desaparecimento da flora e degradação dos habitats. A estes fatores junta-se as consequências das alterações climáticas e a expansão de espécies exóticas invasoras que prejudicam as condições ambientais de um território. “O mais preocupante é que, na generalidade dos casos, estas ameaças tenderão a aumentar ainda mais no futuro como reflexo do desenvolvimento económico de vários setores”, explicam os técnicos da Sociedade Portuguesa de Botânica.

Carlos Aguiar, refere na nota introdutória que “os recursos disponíveis para a conservação são escassos”, pelo que documentos como as listas vermelhas são essências para uma distribuição dos recursos mais eficaz. Além da identificação das espécies em perigo, as soluções apresentadas no estudo passam pela recuperação e gestão dos habitats, pelo controlo de espécies invasoras, pelo reforço da aplicação da legislação já existente e pela definição de novas áreas de proteção.

Na região do Alentejo Interior, onde está inserido o distrito de Portalegre, existem 49 plantas ameaçadas, a maioria presente nos arredores de Estremoz e de Elvas. O relatório refere que a principal ameaça para as plantas na região é “a expansão da intensificação agrícola em larga escala resultante da instalação de grandes blocos de regadio na área de influência do Sistema Global de Rega de Alqueva”.  

Cláudia Patrício Silva