Saúde
NOS PRÓXIMOS 4 ANOS, 2700 MÉDICOS VÃO-SE REFORMAR
Alentejo tinha 129 vagas para contratar jovens médicos. Só conseguiu 20.
Mesmo com programa de incentivos, 84,4% das vagas ficaram por preencher no Alentejo. O Algarve aparece a seguir, com 44, 1%
Das 32 vagas atribuídas à Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) para contratar jovens médicos que terminaram a especialidade em Abril, apenas duas foram preenchidas. E nem o facto de 26 destes lugares darem direito a incentivos, ajudou a levar mais médicos para os hospitais de Portalegre e Elvas e centros de saúde da zona.
O Governo abriu o concurso nacional para a contratação de jovens médicos em Maio. Para o Alentejo foram disponibilizadas 129 vagas, entre especialidades hospitalares, saúde pública e medicina geral e familiar, onde de acordo com o PÚBLICO apenas 20 médicos ficaram na região.
Mas o resultado foi muito diferente entre regiões. Se no Norte as vagas vazias foram de 12,9%, no Centro de 26,7% e em Lisboa e Vale do Tejo 21,9%, no Alentejo e no Algarve — à semelhança de anos anteriores — as percentagens são muito superiores. No Algarve ficaram por ocupar 44,1% dos lugares e no Alentejo 84,4%.
Das duas vagas preenchidas na ULSNA, uma é de medicina geral e familiar com direito a incentivos — estes médicos recebem mais 39 mil euros em três anos e mais dias de férias, entre outros benefícios — e a outra é de cirurgia. Neste caso, uma vaga sem incentivos.
A ARS Alentejo lembra que os “médicos não são obrigados a ocupar as vagas”. As prestações de serviço têm sido a solução para colmatar a falta de médicos. “Continuamos a apostar na diferenciação técnica das unidades, associada a uma maior componente de formação de internos de especialidade, considerando a fixação de alguns destes profissionais após conhecerem a forma como trabalhamos, associada à qualidade de vida da região”, diz a ARS.
Porque é tão difícil fixar médicos no Alentejo? “Deve-se à falta de condições de trabalho físicas e científicas para que os médicos se sintam aliciados. A carga de trabalho é elevada, com baixo nível de segurança dos actos médicos e os clínicos não se sentem incentivados”, afirma Armindo Ribeiro, secretário regional do Alentejo do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). Um dos pontos que salienta é a falta de investigação e de incentivos para que médicos no Alentejo façam doutoramentos. Pedido feito à ARS e que diz não ter sido respondido. Sem mudanças, admite que nos próximos concursos o cenário se “repita” ou “agrave”.
Jorge Roque da Cunha, secretáriogeral do SIM, recorda que “nos próximos quatro anos vão reformar-se 1300 médicos de família e cerca de 1400 médicos hospitalares”. “O Ministério da Saúde sabe dos problemas, das dificuldades, e nada faz para criar condições para que os profissionais fiquem no SNS”, acusa.
