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Alentejo Litoral

Luis Santos (PSD Santiago do Cacém): “Foi utilizada uma solução copy/paste”

O Vereador e Presidente da Concelhia do PSD de Santiago do Cacém em entrevista ao Canal Alentejo

Luis Santos não poupou críticas ao Executivo de Álvaro Beijinha

O Canal Alentejo entrevistou esta semana o atual presidente da Concelhia do PSD de Santiago do Cacém e Vereador da Câmara Municipal(CMSC) do mesmo concelho, Luis Santos.

O social-democrata falou acerca da polémica do 1º de maio, da reacção de Álvaro Beijinha à suposta “lei da rolha” e das propostas do PSD durante o período de confinamento.

De que forma a crise pandémica que vivemos o afetou, pessoal e profissionalmente?

Esta é uma situação completamente nova que alterou a nossa forma de viver o dia a dia e que inevitavelmente nos afetou a todos. A nível pessoal foi necessário fazer adaptações, sou por norma uma pessoa socialmente activa, é difícil ficar de um momento para o outro privado do convívio com os amigos e principalmente familiares com os quais não coabitamos. Conseguimos em família encontrar formas de ultrapassar esta fase complicada, o facto de manter sempre um espírito positivo foi uma grande ajuda.

A nível profissional, como empresário, a principal tarefa foi a de garantir a segurança e condições de trabalho a todos os trabalhadores de forma a assegurar a continuidade da actividade sem que estivessem expostos a qualquer risco.

“nunca tivemos um verdadeiro surto que exigisse uma intervenção mais activa por parte da Câmara, que se limitou a gerir esta crise numa perspectiva de propaganda”

Como é que avalia a gestão de crise feita pela CMSC? O que teria feito de diferente?

Felizmente os casos que tivemos no Concelho foram espaçados no tempo, nunca tivemos um verdadeiro surto que exigisse uma intervenção mais activa por parte da Câmara, que se limitou a gerir esta crise numa perspectiva de propaganda, colando a sua imagem a iniciativas de privados e instituições.

As medidas tomadas foram essencialmente as mesmas a que assistimos noutros Municípios, em especial do mesmo quadrante político, diria mesmo que foi utilizada uma solução “copy/paste”.

Acabámos por ser nós a apresentar medidas diferentes, conseguindo uma redução na fatura de água muito superior à que inicialmente foi avançada pela Câmara, conseguimos também aprovar uma medida que prevê a distribuição de máscaras reutilizáveis às pessoas mais carenciadas e apresentámos uma proposta que previa a devolução de parte do IMI a pagar em 2020 sob a forma de “cheque compras no comércio local” a pessoas com quebra de rendimento superior a 35%.

Infelizmente o voto contra do executivo CDU e a abstenção do PS não permitiram essa ajuda.

Concordou com a tomada de posição pública do Presidente da Câmara, relativamente às alegadas orientações do Ministério da Saúde para a publicação de dados sobre a pandemia?

Foi uma situação que nunca ficou clarificada, com declarações contraditórias de parte a parte. De qualquer forma entendo que o Presidente da Câmara deve ter sempre toda a informação sobre o que se passa no seu Concelho, mais ainda numa situação com a gravidade da que vivemos e sendo o Presidente da Câmara o responsável máximo pelo proteção civil local.

“Não é aceitável que se exija o máximo esforço à maioria dos Portugueses e depois sejam admitidas exceções que colocam em risco todo esse esforço, é inadmissível, por exemplo, o que aconteceu com as comemorações do 1° de Maio.”

Concorda com a forma como tem sido iniciado o processo de desconfinamento, por parte do Governo?

Penso que era necessário no início da fase de desconfinamento um discurso firme sobre a necessidade de cumprimento rigoroso das medidas exigidas. Não é aceitável que se exija o máximo esforço à maioria dos Portugueses e depois sejam admitidas exceções que colocam em risco todo esse esforço, é inadmissível, por exemplo, o que aconteceu com as comemorações do 1° de Maio. Passa uma mensagem contraditória e confusa que acaba por levar a população a colocar em causa as medidas impostas, com a agravante de que vamos começar agora a sentir os efeitos de uma estratégia de combate à pandemia, que no sector da saúde deixou para trás tudo o que não estava relacionado com Covid-19.

“Vivemos num concelho com políticas pouco amigas das empresas, pelo que os receios no meio empresarial são grandes.”

Têm lhe chegado algum tipo de preocupações por parte do tecido empresarial santiaguense?

Sim, como seria de esperar, os empresários estão preocupados com o futuro, vamos seguramente atravessar uma nova crise económica.

Enquanto a preocupação de alguns é a retoma da sua actividade, outros vivem ainda uma incógnita na forma como a sua actividade será desenvolvida a partir de agora, como por exemplo a restauração.

Vivemos num concelho com políticas pouco amigas das empresas, pelo que os receios no meio empresarial são grandes.

Santiago do Cacém é composto por freguesias com características algo diferentes, algumas bastante rurais. Que informação lhe tem chegado acerca do acesso aos materiais educativos por parte dos alunos, agora que o ensino se assenta essencialmente em meios digitais?

Há dificuldades com o acesso a equipamentos informáticos, essas dificuldades têm sido atenuadas por empresas ou grupos de voluntários que conseguiram angariar alguns equipamentos.

A Câmara Municipal já fez um levantamento das necessidades e mostrou disponibilidade para aquisição desses equipamentos, aguardamos que o faça com a maior brevidade possível.

As características do nosso concelho trazem dificuldades acrescidas no acesso a internet com a capacidade necessária para permitir o acompanhamento lectivo com qualidade, receamos que este possa ser um factor de criação de desigualdades no acesso ao ensino.

Luis Filipe dos Santos tem 46 anos, trabalha na área da informática de gestão e foi eleito Presidente da Concelhia do PSD de Santiago do Cacém a 11 de janeiro de 2020.

*Por motivos alheios ao nosso jornal, esta entrevista não foi publicada durante a data previamente anunciada.

Canal Alentejo

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