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Brasil

FMI vê Brasil com a pior dívida entre países emergentes

A previsão foi feita pelo Fundo Monetário Internacional, que acredita que o País terá um desempenho econômico negativo

O Brasil é considerado o novo epicentro do coronavírus. (Foto: Unsplash).

O Brasil deve terminar o ano com a pior situação fiscal entre os países emergentes. Com empecilhos e condições desafiadoras em relação às despesas gastas e ao crescimento, o Brasil foi um dos países que mais gastou para combater a crise que se estabeleceu no País em decorrência da pandemia do covid-19, o que fez com que a dívida brasileira dobrasse em relação à média de outros países emergentes.

A fatura, de acordo com os especialistas, pode render ao Brasil um desempenho econômico não tão negativo quanto o de seus pares internacionais, mas para isso houve a deterioração das contas públicas, o que pode fazer com que a nota de classificação de risco do País caia ainda mais – o que já havia acontecido em anos anteriores . 

Segundo um levantamento recente feito pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), a situação fiscal negativa que o Brasil vive só é superada por países menores, como, por exemplo, a Angola, a Líbia e Omã. Países emergentes que tem economia similar a brasileira, como o México, a Turquia e a África do Sul, têm vivido uma situação mais tranquila quanto à economia. 

“O Brasil foi pior entre emergentes, aumentou mais o gasto”, afirma o economista Felipe Carmago em entrevista para a América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics. “O país optou por sair mais rápido da crise com impulso fiscal mais forte, gastando mais dinheiro”, disse o especialista, completando: “O Brasil está em risco de perder mais uma nota do rating.” 

De acordo com o economista da Oxford, a situação do Brasil em relação a América Latina não é boa, já que o País teve o maior aumento de dívida, com uma alta de 20 pontos neste ano, o que empurra o endividamento nacional para perto de 100% do PIB (Produto Interno Bruto). No México, foram 11 pontos a mais, enquanto o Peru teve 13 pontos, a Colômbia, 14 e o Chile, 11. 

Entretanto, mesmo com toda essa situação há um lado positivo, já que o especialista pontua que a dívida do Brasil é em 90% fixada em moeda nacional, enquanto em outros países emergentes grande parte da dívida é em moeda estrangeira, o que torna mais difícil o financiamento nestes países.  

Mesmo com este ponto “positivo”, o especialista ressalta que o Brasil não tem condições de sustentar uma dívida deste porte: “O Brasil tem uma realidade completamente diferente de outros países, como Chile e Peru, que tinham uma situação mais saneada, com um colchão fiscal para expandir os gastos. O Brasil não tinha. Se era frágil antes, mais frágil ficou”, avalia o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos. 

De acordo com o referido especialista, reformas em setores nacionais são necessárias. Já havia uma urgência na aprovação de reformas que direcionassem o Brasil para uma relação mais equilibrada entre receitas e despesas há alguns anos, entretanto, após a pandemia, essa necessidade se tornou ainda mais latente e permanente.  

Isso se deve ao fato de que, além da situação frágil em relação as contas públicas, o Brasil ainda crescia menos proporcionalmente do que outros países emergentes similares a ele: “O Brasil já estava no topo das preocupações e continua aí. Agora, ficou com um nível de endividamento que ainda é bem maior do que qualquer outro país emergente.” 

Beatriz Bergamin 

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