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Brasil

Após 150 mil mortes no Brasil, Bolsonaro diz que pandemia de Covid-19 foi ‘superdimensionada’

Nesta semana, o presidente voltou a minimizar a gravidade da pandemia no País

O Brasil é considerado o novo epicentro do coronavírus. (Foto: Unsplash).

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, voltou a falar sobre o panorama do País em relação ao coronavírus, e afirmou nesta quarta-feira (14) que a pandemia foi “superdimensionada” – mesmo que a doença já tenha matado mais de 150 mil brasileiros e infectado 5,1 milhões de pessoas no país.  

“Entramos em 2020 e tivemos o problema da pandemia que, no meu entendimento, foi superdimensionada. Desde o começo, falei que nós tínhamos dois problemas pela frente: a questão do vírus e o desemprego, e que eles deveriam ser tratados com a mesma responsabilidade e simultaneamente. Se nós, e parte do empresariado, tivéssemos embarcado na onda “fique em casa que a economia a gente vê depois”, com toda a certeza estaríamos em uma situação bastante complicada no momento”, afirmou o presidente. 

A declaração do presidente foi feita durante a cerimônia de posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), ocasião em que o chefe de estado também elogiou a atuação de Eduardo Pazuello a frente do Ministério da Saúde. Em maio deste ano ele assumiu a pasta de forma interina, e foi efetivado em setembro. 

De acordo com Bolsonaro, Pazuello foi nomeado não por ser um general – assim como diversos outros membros do governo brasileiro atual – mas por ser ‘um grande gestor’: “Na questão da saúde também tivemos algum sucesso em relação ao resto do mundo, em especial quando colocamos um general no Ministério da Saúde. Não por ser general, mas por ser, em especial, um grande gestor, que está fazendo um trabalho excepcional nessa área”. 

Coronavírus no Brasil 

Em contramão ao que foi dito pelo presidente em relação ao isolamento social, diversas modelagens epidemiológicas apontam que caso a grande maioria da população brasileira não tivesse aderido ao isolamento social desde março deste ano, o País poderia ter perdido ainda mais vidas e estar em um cenário mais grave do que o atual.  

Mesmo que a situação do sistema público de saúde como um todo não tenha colapsado, diversos estados chegaram perto desta situação e algumas capitais alcançaram um patamar crítico. Além deste fato apontado por diversos especialistas, os pesquisadores são unânimes ao afirmar que a subnotificação de casos no Brasil também é uma questão problemática a ser pensada, já que há o déficit nas testagens.  

Alimentos básicos sofrem com alta 

Durante o evento, o presidente ainda afirmou que com o apoio do Ministério da Economia, o Brasil conseguiu “implementar medidas que fizessem com que os efeitos colaterais da pandemia fossem bastante mitigados”. Para o chefe de estado, a economia está se recuperando de forma ainda melhor do que era esperado. 

Vale ressaltar que no Brasil instaurou-se uma polêmica em setembro quando o preço do arroz – um dos alimentos base da refeição da grande maioria dos brasileiros ao lado do feijão – chegou a custar quase o triplo do que é usualmente em diversas capitais, impossibilitando que as pessoas com menor poder aquisitivo pudesse consumir um dos principais alimentos da cesta básica brasileira.  

Para justificar o aumento exorbitante do preço de alimentos básicos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que a “vida dos pobres melhorou” e por isso os preços subiram: “Tá havendo um ‘booom’ na construção na baixa renda e um ‘boom’ nos supermercados. Então, justamente os mais pobres estão comprando, indo aos supermercados, estão comprando materiais de construção. Isso é um sinal que estão melhorando a condição de vida”. 

Mortes no Brasil 

O Brasil conta com 151.747 mortes em decorrência do coronavírus atualmente, de acordo com dados levantados pelo consórcio de imprensa nesta quinta-feira (15). Levando em consideração o número alto de vítimas fatais, o Brasil é o segundo país no mundo com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos que lidera o ranking. 

Beatriz Bergamin