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Alentejo Litoral

Álvaro Beijinha acusa oposição de ter uma política “do bota abaixo”

Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém em entrevista ao Canal Alentejo

O Canal Alentejo entrevistou o Presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha.

O Presidente, eleito pela CDU, clarifica alguns assuntos, como a gestão feita deste momento de crise que o concelho, e o mundo todo atravessa; deixa duras críticas às declarações de Susana Pádua (PS) e Luis Santos (PSD) dadas ao Canal Alentejo e fala ainda sobre que medidas devem ser impostas para resolver problemas sócio-económicos.

Que balanço faz da gestão de crise feita, até agora, pelo seu executivo?

Todos os portugueses viveram, e de certa forma ainda vivem, momentos particularmente difíceis. A CMSC desde a primeira hora teve um papel interventivo de primeira linha a dois níveis: primeiro no combate e na prevenção à COVID-19, e segundo no apoio à população em geral, mas também às nossas empresas, particularmente às micro e pequenas empresas.

Aprovámos um plano com 23 medidas extraordinárias de combate à COVID-19 e de apoio social e económico, ainda em pleno estado de emergência, que visaram precisamente essa intervenção.

“Não tenho dúvidas que a nossa intervenção, a vários níveis, teve um papel decisivo na contenção da pandemia e na minimização dos seus efeitos sociais junto da nossa população.”

Tenho que evidenciar que a CMSC teve nos seus trabalhadores, em particular naqueles que tiveram na linha da frente, pessoas que foram verdadeiros heróis e que foram “peças chave” no combate à pandemia. Tivemos igualmente empresários locais, que com o seu espírito altruísta e colaborativo, assumiram um papel importante na luta contra a pandemia. Não posso deixar de ressaltar a Destilaria Black Pig Gin, que teve um papel de destaque, um papel absolutamente fundamental no combate à pandemia com a produção de álcool e álcool gel desinfetantes.

Assim, respondendo à vossa pergunta, considero que o balanço da intervenção da CMSC é positivo.

A presidente da concelhia do PS, em entrevista recente, declarou que a CMSC “se ficou pelos mínimos” na gestão da crise, e o presidente do PSD, também em entrevista recente, disse que a Câmara geriu a crise numa “perspetiva de propaganda”. Estas declarações merecem-lhe algum comentário?

São no mínimo comentários caricatos, comentários de quem não conhece a realidade do Concelho e que têm como único objetivo tentar escamotear todo o trabalho que foi e está a ser desenvolvido. Mais caricatos são quando tanto PS como PSD votaram favoravelmente o Plano já mencionado com as 23 medidas. No caso do PS, não apresentaram uma única proposta.

“Penso que todos percebem que o PS sofre duma espécie de esquizofrenia, pois vota favoravelmente na Câmara Municipal as propostas da CDU, não apresenta uma única proposta, mas depois vem publicamente criticar a gestão da CDU na Câmara Municipal nesta matéria.”

Penso que a população do nosso Concelho, em particular aqueles que votaram nos partidos da oposição, esperavam dos mesmos uma posição mais interventiva, mais ativa, mais próxima das pessoas, e não uma posição de política “do bota abaixo” que nessas entrevistas revelaram.

Pode explicar melhor o que se passou entre o Ministério da Saúde e a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, acerca da publicação dos dados relativos à pandemia?

O que se passou foi que durante dias sucessivos, desde o início da pandemia, tivemos um contacto diário com as autoridades de saúde locais, num trabalho de articulação e cooperação pleno onde diariamente fazíamos o ponto de situação sobre a evolução da pandemia de modo a manter a nossa população informada.

“Dum momento para o outro tivemos a informação que as autoridades locais de saúde não podiam prestar essa informação aos Presidentes de Câmara, que são os responsáveis principais da Proteção Civil em cada concelho.”

Naturalmente que manifestamos publicamente a nossa indignação sobre esta imposição do Ministério da Saúde como, aliás, muitos outros colegas meus e, posteriormente, a medida foi revertida. Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer publicamente toda a colaboração que tivemos e continuamos a ter por parte das autoridades locais de saúde.

Concorda com a forma como foi iniciado o processo de desconfinamento, por parte do Governo?

Penso que tinha que haver uma decisão de desconfinamento, a qual foi muito importante para a economia, em particular para as micro e pequenas empresas. Se foi prematuro, o tempo o dirá. Não foi uma decisão seguramente fácil, mas à data considero que foi razoável.

Quais os principais problemas sociais e económicos, derivados da recente conjuntura, que prevê que venham a afetar Santiago do Cacém? O que é que o executivo planeia fazer para os mitigar?

Os problemas económicos e sociais no nosso Concelho são seguramente idênticos aos existentes no resto do País. A CMSC, como já referi, aprovou um conjunto de medidas, que incluiu a isenção das tarifas de água, saneamento e resíduos, isenção destas mesmas tarifas a famílias carenciadas, a IPSS e a corporação de bombeiros, a isenção de taxas de ocupação da via pública e publicidade, a isenção do pagamento do direito de superfície às empresas dos parques empresariais municipais, o fornecimento de equipamentos de proteção individual a bombeiros, a IPSS, a profissionais de saúde e de segurança, ao comércio local, bem como a distribuição de máscaras pela população em geral, medidas estas em vigor até ao final de junho de 2020 e que entretanto foram renovadas até ao final de Setembro.

Como consideramos que estas medidas foram e são importantes para minimizar os efeitos da crise gerada pela pandemia, (…)

(…) “estamos a ponderar prorrogá-las por mais três meses” (…)

(…) e, inclusive, adotar outras como forma de ajudar a nossa população e as nossas empresas.

Álvaro Beijinha, advogado, com especialização em fiscalidade, tem 43 anos, e é natural da freguesia de Alvalade. É Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém desde 2013, tendo sido, entre 2005/2013, Vereador da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, responsável pelas áreas do Planeamento e Gestão Urbanística, Reabilitação Urbana e Centro Histórico, Desenvolvimento Económico e Turismo, Habitação, Saúde e Ação Social.